Ilustre Desconhecido

By Mundo Segundo

On Ilustre Desconhecido

Released on September 8, 2023

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[Intro: Excerto do poema "Às Vezes", de Alberto Caeiro]

(...) em dias de luz perfeita e exata

Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter

Pergunto a mim próprio devagar

Por que sequer atribuo eu

Beleza às coisas


[Verso 1: Mundo Segundo]

Cada vez que caio eu juro que recomeço

Na vida não há ensaio o guião não foi impresso

Inimigos rezam pelo insucesso final

Já vestem de preto a anunciar o meu funeral

Meu real anjo da guarda, tem o escudo colossal

É ele que me abriga e protege de todo o mal

Abutres que pairam nas encostas do vale

A sonhar com uma carcaça sem um ponto vital

Que Deus me proteja dos olhares da inveja

Dos falsos profetas à porta da igreja

Eles querem a cabeça numa bandeja

Como aquele que fareja o que sobeja

Tanta sanguessuga, tanto verme

Agarrado à minha epiderme

Eu jamais serei paquiderme

Se eu for que o doutor me interne

Eu também quero uma casa no meio do campo

Ter saúde e algum dinheiro no banco

Com coragem, não andar a chorar pelo canto

E de olho aberto, o inimigo surge pelo flanco

Tenho amor e respeito, esse é para quem tem

Pois sem eles, no fundo, não serás ninguém

Passei toda uma vida a semear o bem

É a lei do retorno, tudo vai e vem (3x)


[Excertos do poema "Num Meio-Dia de Fim de Primavera", de Alberto Caeiro]

A Criança Eterna acompanha-me sempre (...) rindo

E gozando o nosso segredo comum

Que é o de saber por toda a parte

Que não há mistério no mundo

E que tudo vale a pena


[Verso 2: Mundo Segundo]

Nada nesta vida pode ser garantido

No caminho muita coisa vai perdendo sentido

E eu vejo no espelho o meu maior inimigo

Eles não sabem quem eu sou

Sou um Ilustre Desconhecido (x5)