P.U.T.A.

By Mulamba

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Released on November 3, 2017

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Ontem desci no ponto ao meio dia

Contramão me parecia

Na cabeça a mesma reza

Deus que não seja hoje o meu dia

Faço a prece e o passo aperta

Meu corpo é minha pressa

Ouviu-se um grito agudo engolido no centro da cidade

E na periferia? Quantas? Quem?

O sangue derramado e o corpo no chão

Guria…

Por ser só mais uma guria

Quando a noite virar dia

Nem vai dar manchete (nem vai dar manchete)

Amanhã a covardia vai ser só mais uma que mede, mete, e insulta

Vai filho da puta

Painho quis de janta eu

Tirou meus trapos, e ali mesmo me comeu

De novo a pátria puta me traiu

Eu sirvo de cadela no cio

E eu corro

Pra onde eu não sei

Socorro

Sou eu dessa vez

Hoje me peguei fugindo

E era breu, o sol tinindo

Lá vai a marionete

Nada que hoje dê manchete

(e ainda se escuta)

A roupa era curta

Ela merecia

O batom vermelho

Porte de vadia

Provoca o decote

Fere fundo o corte

Morte lenta ao ventre forte

Eu às vezes mudo o meu caminho

Quando vejo que um homem vem em minha direção

Não sei se vem de rosa ou espinho

Se é um tapa ou é carinho

O bendito ou agressão

E se mudasse esse ponto de vista

E o falo fosse a vítima

O que o povo ia falar?

Trocando, assim, o foco da história

Tirando do homem a glória

De mandar nesse lugar

Socorro tô num mato sem cachorro

Ou eu mato ou eu morro

E ninguém vai me julgar

E foda-se se me rasgar a roupa

Te arranco o pau com a boca

E ainda dou pra tu chupar

Pra ver como é severo o teu veneno

Eu faço do mundo pequeno

E Deus permita me vingar

E Deus permita me vingar

E Deus permita me vingar

E eu corro

Pra onde eu não sei

Socorro

Sou eu dessa vez


[Citação Chico Buarque]

Morreu na contramão atrapalhando o sábado

(Pra onde eu não sei)

Agonizou no meio do passeio público

(Sou eu dessa vez)

Morreu na contramão como se fosse máquina

(Pra onde eu não sei)

Seus olhos embotados de cimento e tráfego

(Sou eu dessa vez)

Amou daquela vez como se fosse a última