Released on August 1, 2018

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[Parte 1 - Samurai do Agreste]

Uma vez eu sonhei que era rei do rap GAME

Acordei e pensei: That's kinda lame

Lazy flow, same beats, lame shows, rimas non sense

Qual o sentido de ser rei o desse game?

Não sei, apenas sei que sou competitivo

Hanibalizando beats e continuo faminto

Canibalizando ouvidos apenas com minha intro

Difícil compreensão? Volta ao início

Nosso princípio: Carbono e Oxigênio

Nosso princípio: Nitrogênio e Hidrogênio

Sensacional, o princípio universal é o mesmo

Ninguém é especial. Ingênuo ou um gênio?

Contra a minha a tese, exercito o BRAGGADOCIO

Quando nada aquece o coração de um monstro

Ela olha pra mim e já ri de nervoso

E ele olha pra mim com um sorriso escroto

Minha habilidade oral é magistral

O instrumental é o clitóris, minha língua o canal

Reproduzo 7.1, não sou estereo

Nem mono flow, me fala nego

Qual é o seu critério?

O império dos FAKE contra-ataca

Playboy que só ladra, cosplay de favela

Pior que novela, da mente apaga

Rima nada com nada, enquanto eu pinto telas

Que deviam tá no louvre, cês só rimam estrume

Acho o cúmulo, procuram cume encontram túmulo

Acúmulo do ridículo e a fan base que acostume

Todo álbum é genial, que conceito estúpido

Não sou guardinha de rap, só espero critério

Senso crítico é mínimo, a cena virou circo, cês são tudo histérico

Liguei pra MEG e falei: Eu quero um império

Não de fama, sucesso ou excesso, mas pela rima que expresso

Os prego cego grita PRR e no final só sobra ego

Só sobra ego


[Parte 2 - Moura]

Tudo mudou no dia 2 Outubro

2017, aniversário de vinte e uno

Me sinto apático, preciso de um novo rumo

Difícil ter pé no chão quando sua mente é em saturno

Saio de casa atrasado, procuro um trabalho

Diurno, taciturno ou noturno, que seja

Só preciso de um destino que não termine em breja

Prefiro em beijos, e que assim seja

Por ela eu trabalho 12 horas na frimesa

Não sou o único da linhagem, então cartas na mesa

Minha bisa indígena, escrava de família portuguesa

Provavelmente estuprada, dá a luz a cena

Uma filha bastarda, minha vó paterna

Enquanto isso minha vó materna chorava

O marido foi pra Brasília, nunca voltara

Essa mistura de história trágicas formou meu carater

Personalidade, filosofia, identidade

Limparam o caminho para minha prosperidade

Então abram-se as alas, eu cheguei pra traçá-lo

Por essas e outras, é que eu busco um LEGADO

Para preencher as lacunas do meu espírito oco

Meus gritos ecoam no corredor e eu fico rouco

A perna bambeia, o coração acelera, porra

A gente perde, levanta e tenta de novo

Não acredito em meritocracia, quero que essa porra se foda

Mas eu tento vencer na vida, mesmo que eu morra

Mesmo que o sangue se misture com o suor

E no final tudo escorra

Altos e baixos, a criança machuca-se na gangorra

Todo rapper alega ter uma vida sofrida

Reclamador profissional, essa é a função do artista

Paradoxos formam-se, segue a lista

Um iconoclasta classicista, Estoico e hedonista

Que procura riqueza mas de forma simplista

Após divagar, me recordo de TEMPOS idos

Rodando em CÍRCULOS, volto ao princípio

Assisti de camarote a morte do meu irmão

Vi minha mãe ser forte enfrentando a depressão

Ela virou artesã, transformou a dor em arte

Então eu luto contra a solidão que inunda meu coração

Rezo para que do meus pais eu nunca perca a amizade

E que nunca nessa vida eu cause decepção

E o que falar da ACADEMIA?

Essa engrenagem prussiana em estado de LETARGIA?

Temer as autoridades em troca de sabedoria

Tornar-se um lacaio por um pedaço de papel

Ensino atrasado que prejudica a periferia

Que suga nossa alma, acaba com nossa vida

Penaliza gente sofrida, dolorida e enaltece parasita

Qual o significado de CONTRAKADEMICO?

É um personagem tirado de um mundo cênico

Criado pela minha mente rebelde e insegura

Que busca de uma vez justificar suas loucuras

Quero criar o meu caminho, autodidata

Nunca se render nem se corromper pela indústria

Mas não busco o underground, busco as massas

Mantendo a integridade, isso me causa um impasse

Os BECOS da minha mente formam labirintos

Procuro uma bússola para caminhos precisos

Engulo seco, me encontro perdido

Desencontro, atento, flashback

To na mustardinha, eles enrolam beck

Mescladinha, reparo o estresse

O suor desce, aquece o couro

CHUMBO escorre, renasce OURO


[Parte 3 - ContrAKdemico]

Tudo que eles querem é nos calar

Eles querem nos calar (x2)

Mas eu falo mesmo assim, pé na porta, o que esperas de mim?

Ser mais um escravo? Preso num ciclo sem fim

Abraços ternos formam momentos eternos

Multidões num atraso perverso refletem no espelho convexo

"Não consigo me reconhecer, deixo a alma perecer

Independente do que acontecer, não consigo vencer"

Isso que o demônio me fala todo dia

Cartas na mesa, demô-cracia elitista

Fácil ser meritocrata numa aristocracia

Kratos é mais que um jogo (quem diria)

Poder para o povo por meio de linhas anarquistas

Aqui o discurso nunca será materialista

Saiba diferenciar celebridade de artistas

Não siga as Kardashians, valoriza tua vida

Respeite a si mesmo e a sua vivência empírica

Minha vida nas rimas, minha dor nas melodias

Expurgando demônios e executando facínoras

A caneta sangra e o resultado fascina

Nos breves momentos em que a carne amacia

O lábio ama e te reconecta com a vida

Tudo que eles querem é nos calar

Eles querem nos calar (x2)