Released on October 27, 2019

Thumbnail

[Estrofe I]

Falta um lugar ao sol para o amor por esses lados

Faltará mais... os portões estão fechados

E não haverá mais um sentimento que os acesse

Vê-se no reflexo do dia que amanhece

Se fazem arquipélagos, cada um na sua ilha

E quem não tem chora por que quem tem humilha

Sem conceito de irmandade, não há família

No mundo real, humanos não têm noção de partilha

No virtual, é só filtros, quem vê a armadilha?

O Snap limpa o rosto de quem engana a nossa filha

Quem é que se mantém vivo nos dias de hoje

Que lê a falsidade oculta no sorriso de um emoji

Nós somos a distração no telemóvel, a cara-baixa

Os olhos que não vêem o carro que invade a nossa faixa

Adeus o contacto físico, adeus o contacto visual

Ninguém vê o que é real, é tudo virtual


[Refrão II]

Essa não é a sociedade com que eu sonhei

Isso mudou de repente quando acordei

Eu até já não nem sei

Mas está mesmo assim, meu wei

Quem tem um milhão de likes agora é rei


[Estrofe II]

No som é tudo muito mais bonito, mais inclusivo

Mas só falamos de amor se for num palco, ao vivo

Em troca de um incentivo, do ouro e da prata

Em casa fazemos shows com uma linguagem que mata

Sem conversa com os filhos, sem saber o que lhes falta

A gente diz amar a esposa mas espanca, maltrata

Só se declara quando há net, por que lá há plateia

Em casa é cada um na sua, é só cara feia

Devíamos levar para casa essas redes sociais

Nossos lares, são campos de batalhas mortais

Batalhas épicas, um confronto de titãs

Beijos e abraços trocados por socos pelas manhãs

Adeus o contacto físico, adeus o contacto visual

Ninguém vê o que é real, é tudo virtual

Paz para ti que promove o diálogo social

Que estimula o contacto do mundo real


[Refrão II]

Essa não é a sociedade com que eu sonhei

Isso mudou de repente quando acordei

Eu até já não nem sei

Mas está mesmo assim, meu wei

Quem tem um milhão de likes agora é rei