Released on February 12, 2017

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[Verso 1 - Moniztico]

Meu tempo é fuck e eu sei que vaticínios cracham

Dos meus patrícios não sobejaram sonhos, só sobraram rachas

Escrevi "Rescaldos e Resquícios" e os escaldados usaram a água

Da chuva que compraram p'ra apagar as achas

Achas, que é fácil vir duma cidade marginalizada

Com a mania de andar em segundo plano?

Querer nadar com os tubarões quando o lago

Não te ensinou a deontologia do oceano

Eu comparo, ufano o mano que veste de facto a bravata

E esquece que acima das leis só quem veste de fato e gravata

Antes de fato-macaco do que a virar casacas

Por isso eu dispo o casaco e arregaço as mangas da asas, fui!

E eu vejo mangas na praça

Com talento de fazer cair queixos e outros a cair em graça

Alguns que se queixam e não deixam passar nada

Até que fazem o amigo certo e prescindem de ser quem delata

Ainda por cima a inveja mata quem não vive

Mas vale não ter ouro do que cuidá-lo mal e culpar o ourives

Na minha city prata da casa é só conflitos

Quer alguém vença ou alguém perca no final só se ouvem gritos...


[Refrão]

Deixamos pétalas no prato

Viramos armas ao contrário

Abraçamos os entes

E seguimos em frente

Pelo sol nascente

P'ra fazer a nossa parte

Deixamos as armas de parte

Soltamos pétalas no ar

Juntamos os pés

Descruzamos os dedos

E juramos ser arte


[Verso 2 - BAG]

Violaste a praça com paz

Com uma guitarra nos braços

Confia a alma ao diabo e ele põe-te guita no saco

Queres vida fácil? Faz um pacto. Convida ao palco o teu pai

Reza-lhe o santo e o cristo e o carmo, e a trindade cai

Mas tu compensas ao domingo os devaneios dessa sina errante

E assim que olhas para cima cai-te a praga dos santos

Contigo a vida era fácil, antes comias felicidade

O banco quis-te o prato mano e tu bancaste humildade

Eles riram na tua cara (I'm really rich *risos), e tu pensaste

Que um dia irias corromper o teu sistema padrasto

Lavaste os pratos a lei, somente p'ra hoje lavares

Os olhos à tua mãe, contigo morto nos braços

Artista numa selva de concreto, observa

Que eles negam que a sorte é um factor

Porque eles compram a deles

E eles querem a cidade burra, fodam-se os direitos, curvam-se

Na mesa que eles usam p´ra foderem tudo

Os media chamam-te drogado ou traficante sem lei

Trancado no quarto a escrever antropologia, eu sei

Guardei os teus cadernos todos, pergunta à tua mãe

Eu prometi-lhe que o mundo iria saber o que eu sei


[Refrão]

Deixamos pétalas no prato

Viramos armas ao contrário

Abraçamos os entes

E seguimos em frente

Pelo sol nascente

P'ra fazer a nossa parte

Deixamos as armas de parte

Soltamos pétalas no ar

Juntamos os pés

Descruzamos os dedos

E juramos ser arte