KATANAGATARI

By MK (PRT)

Released on October 30, 2021

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[Letra de "KATANAGARI"]


[Verso]

Respirei oxigénio, vi a luz sem pagar conta

Fecundei numa quimera, considerado como afronta

Passados nove meses, numa era que desaponta

Deram-me uma terra bera, que semeia o que eu sou contra

Saída numa ponta, na caneta rejubila

Batida consumi-la, quando conheci o Dilla

Não há herança nem finança, na balança que ele compila

Trança, avança na mudança, com a esperança na mochila

Tiranos insanos, com prantos, espantos, caçados

Quantos e quantos, recantos, encantos, cantos, roubados

Quantos explorados usados? Quantos criados, criados?

Tantos enganos humanos, com danos, manos com anos contados

O meu destino é uma peste, ainda soa a protesto

Como os Pantera contesto, eu não vendo o que orquestro

Rimas abrem em leques, vê-me na Cali sem backs

A Criá-la, cantá-la, c'a tála, plantá-la sem cheques

Vou quinálas com sativa, o que inalas é medicina

Quando cargas viram balas, embalas na minha sina

Não igualas a minha Siva, qualquer zé rima

Precisavas de Milamitras, para ser um Zé Guima

Venho d’uma rotina, rodinha numa cantina

Fazer da rima platina, mesmo ser ver uma cortina

Por isso a rima sozinha, é uma Parker que assina

Onde o wack vira chacina pela sample assassina

Vejo a firma ajeitadinha, toda a dar para fina

Mas se encravares na minha linha, também dou parafina

Agora com base na continha, até tem uma dama fofinha

Mas nunca vi a tia Tina a fazer rap numa esquina

Tu és o puto que chegava, largava e dizia “mas!”

“Como é que fazes? Frases com bases e dizimas?”

Escrevo rimas eternas, p'ra ser a demasia das...

Componho em grutas, cuspo Lusíadas, maresia nas

Terras inocentes, dependentes eu pagino

Com argumentos suficientes, p'ra ser mais que origino

Eu por acaso imagino, uma revolta sem chino

É pelos dentes do meu povo que eu desbasto a machine

Desgasto, gasto o cachimbo e tempo gasto com isso

Não és metade da metade, do que eu fazia com quinze

Necromancer na gaveta, não acordes o lince

Vês o fantasma com a caneta, nos acordes do Prince

Vejo tanta dark soul, a querer a soul do meu boss

Que dá vontade de empurrar, até criarem entorse

Também escondi a chaminé, fazer uns quantos em off

Porque o meu fumo anda inchá-los e a deixá-los com tosse

Rima tem o peso do Ross, sou inventor como Watari

Não vais montado num Ferrari, boy nem que tivesses uma Atari

Piloto como o Ikari, não tens extensão pra o Safari

Saco a katana na party, arma Katanagatari

Declina, o teu declínio, confina como eu confino

Lâmina, denomina domínio, como eu domino

Só insemino cultura, predomino doutrino

Tinteiros que elimino, são mentes que ilumino

Genuíno, subordino, o que eu dedico numa rhyme

Sinistro sou Tarantino, realizo com punchline

Na história Vitorino, Fernão Pinto combino

Eu sinto o sangue do Bambino em cada bassline

Boy com menos dezasseis

Cenários possíveis antigos, são impossíveis, imperdíveis

Rimas sensíveis com níveis, eu piso leis

Linhas que pinto, são tags de Nuno Reis, tu não tens

Nem com a mão cheia de anéis

Enfrentas a realidade, sem tropas, p’ra cem quartéis

Mic, colunas e pratos, 3, 4, fiéis

Montei um estúdio num buraco, não levo o rap a hotéis