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[Verso 1: Presto]

Tudo bem no país à beira mar plantado

Até aparecer algo de novo, nunca identificado

Hip-Hop, muitos gostaram, outros não

Talvez seja por não ser de fácil compreensão

Que é isto? Ninguém canta, ninguém toca instrumentos

Graffiti, Breakdance, estranhos, estranhos comportamentos

Só se ouvem palhaços comerciais que não representam

Artigos copiados de revistas, outros que inventam

Dou dicas directamente da fonte p'ra se saber

Que é isto afinal, que estamos aqui a fazer

Hip-Hop, simplesmente, não é como o Rock

Não adianta comparar-nos, ponto final, Stop!

Ninguem toca quase nada,ou até mesmo nada

Temos um sampler p'ra sacar o que mais nos agrada

Rimas ricas ou pobres, que não obedecem à métrica

Sem estrutura convencional de quem especifíca

Uma maneira de viver, p'ra não esquecer

Com pormenores que nem todos conseguem entender

Não importa quem se gaba, mas quem o faz melhor

É indiferente raça, credo, estatuto ou côr

Por favor, poupem comentários ignorantes

Tirem dúvidas, se vão falar é melhor pensar antes

Entenda-se que isto é delicado como cerâmica

A seguir ao refrão, explica-se a mecânica


[Refrão: Carla Moreira]

O que eu precisava era mesmo

Alguém assim como tu

Eras o estilo certo, para mim

Quero ficar contigo até ao fim

Nunca tive ninguém como tu

Mas sempre te procurei

Agora que te encontrei, que te ouvi

Quero ficar contigo até ao fim


[Verso 2: Ace]

Hip Hop, o meu carburante, a língua o carburador

Cérebro, a válvula de admissão, a perícia, a injecção

Tenho amor pela profissão, profissionalizo um hobby

Os versos, a minha pressão, Mind da Gap são o meu lobby

Os modelos, a gasolina, falsos, a estricnina

Nova Iorque, a box, Costa Este, a anfetamina

Em 73, o nascimento do bólide e condutor

Eu guio o estilo e estilizo-o sem pudor

Os primeiros MC's, meus co-pilotos particulares

Pioneiros, as raízes destes ritmos singulares

O lubrificante que nos dá gás como um gaseificante

Hip Hop é o meu vício, o teu é o refrigerante

Produtores de Breakbeats, com sistemas de som ambulantes

Faziam festas no Bronx, em ambientes beligerantes

Mais tarde vieram os MC's, animar como GTi's

Novo sistema de motorização, os rappers são V.I.P's

Nas Escobar, meu par, bebe Asti Gancia num Lancia

Enquanto os Mobb Deep, mandam shook ones para a ambulância

KoolHerc, não ia adivinhar o que estava ali a criar

Raekwon e Method Man, combustível p'ra injectar

Biggie Smalls, acaba o rol dos favoritos de Nova Iorque

Tenho tamanho torque, que figuro na lista da Autosport

A potência que declaro, torna-me raro como um Jaguaro

Se me enganei não reparo, o que vos digo é sempre claro

Veloz como um Lamborghini, conto-te a história como Fellini

Junto a minha voz aos reais, enfio os falsos num Mini

Necessitas de cinto de segurança

Isto não é música de dança, dedicatória p'ó Hip Hop

A história que aqui s'avança


[Refrão (2X): Carla Moreira]

O que eu precisava, era mesmo

Alguém assim como tu

Eras o estilo certo, para mim

Quero ficar contigo até ao fim

Nunca tive ninguém, como tu

Mas sempre te procurei

Agora que te encontrei, que te ouvi

Quero ficar contigo até ao fim