Cypher do Marginal

By Mano A Mano

Released on October 5, 2021

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[Letra de "Cypher do Marginal"]


[Verso 1: TNT]

O sangue ferve

Sahara no meu rap

Só paro se acabar entupido como fat cap

Separa-me do joio

Eu sou o trigo, entrega o teu verso

Zumbido no ouvido, esquece

Conteúdo, só me entorpece

Queres te rir, mete em repeat a tua obra

Prima tipo consanguínea, a linhagem já nasceu torta

Na imagem só vês prós

Vantagem de ser da margem

Contagem decresce, inversa mensagеm que o boy transporta

Sai torta a linha

Sou Deus a escrеver as minhas

Romeus do rap atropelo

As tuas groupies voltam para a esquina

Vê-me a lançar sem espinhas

É o T a balançar com as rimas

Tu queres bué lançar

Mas esperas que as dicas escrevam sozinhas

Living la vida marginal como a Gamorra

É uma emergência

Nem pensem que eu vou deixar que o mic morra na mão

De quem se empurra p'ra ficar bem na chapa

Uma chapada de luva que faz-te saltar a placa


[Verso 2: Kulpado]

Eu constato, de facto, demasiado aparato

Para um resultado tão fraco

Planeei o assassinato

Acidentalmente propositado

Seja qual for o veredito, serei sempre culpado

Não é óbvio

Dispenso o médico legista, eu próprio declaro óbito

Risco esta da lista quando te empurro do pódio

Sinto o calibre do beat

Escrevo até à tendinite

Seja no dispositivo, esferográfica ou grafite

Bué da style, zero skill

Então vim redimir-te

Junto-me a esta equipe, para saciar o meu apetite

Um gajo veio para spit

'Tá tudo jóia? Tá tudo sweet?

É vê-los a correr para lançar um clip

Dizes que eu 'tou desaparecido

Porque eu faço [?]

Meu coração lá vai batendo ao som deste ritmo

A tua vida programada, gerida por um algoritmo

Por isso eu prossigo o sentido


[Verso 3: Tom]

Eu sou tinta preta na letra das barras que eu já escrevi

Nascido a meio dos 90's

Criado pelo que eu vi

Conselhos de vida para mim

Foram rimas do B.I.G

Duvidas? Então devias ouvir o que eu já vivi

Eu escrevo-te uma enciclopédia

Com tudo aquilo que eu aprendi

Na rua ensino os média, sem um curso, só matéria

Não vim pa' aqui fazer figura de urso por uma vénia

Então recuso-me a ouvir bué rap luso que é comédia

Não interessa, boy, aqui não há sorte

Do sul ao norte, é só promessas, nunca as viram no top

Isto é hip-hop

Essas conversas só batiam num blog

E eu vi logo o que acontece assim que atiçam os dogs

Agora corres em nonstop

Corridas só se medem com milhas

Esse vosso top, para mim, já está com bué de armadilhas

Para os nossos dogs, a rafeiragem fica na esquina

Sem um boss, mas posso vir a ser patrão com estas linhas


[Verso 4: Jay Fella]

Tu liga a camera

Para registares a cena

Para legendary tipo [?] vossa cena é efêmera

Lá na zona só generals

Outros bebem bué ben-u-ron's

Papo o game ao pisar no room, burros saltam tipo kangaroos

Quando bebem o veneno do Fella

Uns viram fãs ou então jealous

Comigo a tela é mais bela tipo Samuel acapella

Rappers em battles são felonies

Aprisiono-os em cela, G

Desde o tempo em que eu dei a tape ao Tekilla na Lisa

B, quando eu chego, analiso o beat

Depois disso, finalizo o beat

Assassino o beat

Eu chacino o beat

Assino o name

No pain, no gain

No skills, no flow

Como é que te misturas com reals

Sendo uma cópia de um fake, b?

Please, quando eu tinha sixteen

Já dropava sixteen's

[Vosso feat era?] murder scene

Não poupava Murder, Inc

Que eu estragava rappers dreams

Dizimava self-esteem

Me'mo assim, vou-me [abrir?]

MS, MS, MS


[Verso 5: MLK Mau Aluno]

Yo, dá-me só um ponto de apoio

Eu vou mover o globo

O melhor de nós todos, é sabido, é o todo

São contos do sul

Histórias do gelo e do fogo

Os meus colegas no blues são salvação ao sufoco

Vá p'ra onde for

Esta é minha base, minha life

Todos somos M.A.C

Não é uma fase

Trazemos aquela fé (Fé)

Rap da Lisnave

Lançamos o Ed Harris no espaço

Seis numa nave

Guarda fax a bater nos meus phones

Os mais pesados a abanar os teus cornos

Embalar mais chocolate p'ra matares essa fome

[ACR?] para mais velhos, mais novos

A deixar todos muito mais orgulhosos

Não é bem assim, mas há vezes em que só Deus sabe

Mando o [?] dava logo a palavra-chave

Não é bem como quero

Mas vá, fiquem à vontade

Sempre a tempo, mas como um prazo de obra atrasado


[Verso 6: Silab]

Yeah

Fora do conforto há uma força grande

'Tou distante, quero um lugar numa estante me'mo num instante

Tanto infeliz de [Mustang?]

Yo, se tu me vires parado

Eu 'tou a hibernar

'Tou a batucar, não vê tocar

Rappers cospem rimas

Eu 'tou-te a ensinar como educar num beat raro

É melhor marrares no que eu narrar

P'ra não me errar, sabor amargo é marca própria

Bué da people com folhas, yeah, parecem fotocópia

O que eu cuspo dá [?] na história

Alma gigante, só que a vontade move-a

Hoje eu dou voz ao bicho

Que eu tenho nicho, domestiquei-o

Como quem persiste em algo que não existe

Tua fantasia

É bué vazio o que eu fazia com doze

E era razia, era doce, confia

Na minoria quem fala

A minha ironia minoriza-te e cala-te

Quando ironizas, nunca eternizas

Avisa, então follow me que eu não sei da meta

'Tou tão perdido, quando todos dias conto todos

Depois conto todos, correrias vão estragando as pontes

Diamante de hoje é o lixo de ontem

Nem me contem, não me contem

Essas más energias não vão parando as fontes

Mano a Mano, olha o vexame

Passas com esse enxame, bees

Eu vou mudando o plano até que inflame o que o caderno disse

O ócio é um oceano

No meio do drama, às vezes encontro peace

Eu não sou Wu-Tang Clan

Porque o meu rap não precisa de ter reason (RZA)

Melhor do que o costume

Eu trago o lume p'ra o vestibular

E eu assumo, isto já nem é consumo, eu 'tou só a mastigar

Tu és meu aluno na minha sala de aula

É só esticar o punho

Quando eu me aprumo, arrumo, elevo os chakras

Não me vais picar

É suma margem a berço, imagem de um terço

Está construída noutra escala, em Almada, MS the best

E nem que o DJ Khaled quisesse o acapella do verso

Don't even ask

'Tou com mais espaço que o Elon Musk


[Outro]

Mano a Mano