MC’s Emergentes

By Mahal

On Cypha Sônico

Released on January 1, 1999

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[Refrão 2X]

Vão emergir, MC's no Brasil fortalecendo a cultura Hip-Hop

Criando identidade forte

Superando supremacia do rap que vem da América do Norte


[Verso 1]

Misantropos em motim emergem em todo Brasil

Fortalecendo o elo do Hip-Hop, e a cultura artística

São eruditos terroristas com tabelas periódicas

Contendo combinações químicas perigosas

Receitas pra explosivos, bombas bacteriológicas

Atacam os blocos da sociedade, degelam concepções hipócritas

MC's coletam espécies micro-orgânicas

Que se hospeda no pensamento patogênicamente

Colocam a negatividade em recipientes

Reciclam as células mortas transmutando informação pra mente

Os micro-organismos são

Mensagens sublineares, emitidas por meios de comunicação

Minha voz atravessa seu campo energético, e toca no chackra do seu coração

Palavras terapêuticas, que aliviam o nervosismo e a tensão

O raciocínio é um músculo

Por isso eu devo e devemos fazer flexão

Enrijecendo nossa lógica

Alongando nosso vocabulário inteiro

Se flexiono os verbos, quero flexionar verbos certeiros

Do topo do crânio á falange dos dedos dos pés

Vem cá que vou te contar um segredo

Parece que 30% dos Brasileiros sofrem de estresse, insônia

Imagine em Moçambique, Albânia

Onde o terreno é hostil, o solo queima em chamas

Rimas infâmias

Como a imagem de Saddam e sua alcateia

Como o descaso do governo à plebeia rude

Jogando com os planetas como bolas de gude

MC's catequizam as massas com sua magnitude


[Refrão 2X]

Vão emergir, MC's no Brasil fortalecendo a cultura Hip-Hop

Criando indentidade forte

Superando supremacia, do Rap, que vem da América do Norte


[Verso 2]

Catequizo as massas como Mahatma Ghandi

Minhas rimas se alastram, se abrangem, como as teorias de Darwin

Incito a polêmica nos diferentes setores da sociedade

Controverso e conflitante

Intelectualmente combativo como Karl Marx

Minhas estrofes são esplêndidas, como uma pedra de ônix

Minha verve é vanguarda, influencia variadas vertentes de pensamentos

Como a filosofia de Comte, positivista

Decepo o negativo, como a guilhotina da bastilha

E é incontrolável a força desta invasão

Meu clã é drástico com a concorrência

Como o inverno Russo, que dizimou a tropa de Napoleão

Genocídio verbal, hecatombe poética

Holocausto frasal, em destruição dialética

Flexiono o vocabulário com disposição atlética

Não anabolizo meus líricos

Minhas letras são naturais como a alimentação de ascetas

A classe alta e média me odeiam pois sou muito negro pra ela

Os pobres me odeiam pois sou mauricinho demais pra eles

As minas me odeiam pois eu sou um sequela

Sou o inimigo público com o cérebro complexo de Stephen Hawking

E a retórica de Mandela

Refinado demais pra monarquia da Inglaterra

Demasiado rústico pra favela

Conceda-me um microfone e um beat

Que sou mais complexo do que Aristóteles, Sócrates ou Nietzsche

Minha linhagem é geométrica

Elucida a plateia em linhas iluminadas e ecléticas


[Refrão 2X]

Vão emergir, MC's no Brasil fortalecendo a cultura Hip-Hop

Criando indentidade forte

Superando supremacia, do Rap, que vem da América do Norte


[Scratch: DJ Pachú]

Vem uma onda de música ufanista, varre o país


[Verso 3]

Rebelde eloquente

Dissemino minha dialética, como verdade consciente a cada ente

Usando minha pena, pra sentenciar hipócritas na sociedade

Como Neruda um poeta combatente

Guerrilha lírica irrechaçável

Versos inflamáveis, como bombas Napalm eu dropo em séries

Como um caça Jaw-gear, bombardeio com verve

Rimas se plasmam em clones, saem nos fones, e entram na epiderme

Seu corpo ferve, pôs a sílaba intravenosa, aquece a hemoglobina, te causa febre

Alucinações lhe aparecem

Como uma overdose de ode lisérgica, te suspendem além da orbe terrestre

Como um satélite monitorando a Terra

Meus olhos são como a estação da MIR

As rimas são um porvir

Como profecias da nova era

Amigo eu faço meu bagulho á vera

Pôs o tempo não espera por ninguém, nem mesmo por Cronos na Grécia

Sou um indivíduo, um MC que estréia

E as células do meu físico, são como as estrelas de Cassiopéia

Te introduzo, à Odisséia, lírica

Guiando seu espírito pela expedição onírica

Onde tudo é abstrato, como um quadro de Chagall

O surreal é possível, e o invisível real

Onde a palavra pode ser letal

E a granada gramatical, causa uma avalanche sintática

Frases blindadas, como caças da Árabia, lançando ogivas rimáticas nucleares

Fulminante como a explosão de, gases solares

Trágicas como Hades

Drásticas como a invasão de Palestinos na Faixa de Gaza


[Refrão 2X]

Vão emergir, MC's no Brasil fortalecendo a cultura Hip-Hop

Criando indentidade forte

Superando supremacia, do Rap, que vem da América do Norte