Underground

By Keso

On KSX2016

Released on May 6, 2016

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[Intro]

Não estás só, não

Se eu acredito no teu Underground… não minto

És a voz que eu sinto, não estás só (não)

Não estás só

Não estás só


[Refrão]

Se eu acredito no teu Underground… não minto

És a voz que eu sinto, não estás só (não) (não) (não)

Se eu acredito no teu Underground… não minto

És a voz que eu sinto, não estás só (não) (não) (não)

(não estás só)

(não estás só)


[Verso 1]

Deve haver forma de eu conseguir explicar isto...

Doutor... no pior dos meus pesadelos

Eu imagino uma cadeira que roda

Nela sentado um Carreira que me olha

E diz-me "eu quero trabalhar contigo agora"

E é neste ápice delírio famigerado de convicção absoluta

Que eu esqueço merdas que sou e viro um maxim

Convencido com o meu génio artístico vivaz onírico

Aguardavam por mim tímido entre outros na fila de um casting

(Toda a minha família ao rubro com a minha vitória…

O país evoca-me…

Eu vejo tipos famosos de sobretudo

A chegar lá a casa p'ra jantar e tudo

O meu pai com grande moca... "O meu filho é um espetáculo!")


[Sample]

"Eu, eh, eu já disse..."

"Daqui para a frente tudo pode acontecer, mas muitos parabéns por estares no The Voice."

"Muito obrigado."

Viram-se os holofotes do mundo sofático, sofístico

Apontados na direcção de um Keso idílico

De beleza radiante e voz perfumada

Pronto a tornar-se finalmente num ser mais profícuo

Esticam-me um contrato e eu assino… no cimo

Da linha que me vincula a um destino

Num escritório mítico de uma Lisboa criptic

Onde a etimologia das palavras é limpa

Por um design clínico

Não mais penso no escrito

Só mais penso no que visto

Não mais escondo a cara, não mais vandalismo

Não mais activismo descabido

Nem subversismo

Mas eu tendo em optar pelo mau caminho

E vou continuar a chicotear-me a frio

Até que o puro devir… acabe comigo

(x2)

(Doutor)

Levo uma vida de merda…

Levo uma vida de merda…

Levo uma vida de merda…

Mas… não abdico


[Refrão]

Se eu acredito no teu Underground… não minto

És a voz que eu sinto, não estás só (não) (não) (não)

Se eu acredito no teu Underground… não minto

És a voz que eu sinto, não estás só (não) (não) (não)

(não estás só)

(não estás só)


[Verso 2]

Doutor… no pior dos meus ataques eu sou raptado e vivo

Largado num palco de um lugar ambíguo

Onde a plateia aplaude apoteótica

E o meu nome é um grito pronunciado exactamente

Como ele é escrito

"Keso, Keso, Keso!.."

E se há coisa que eu não admito

É ver o meu nome em bold escrito

Num cartaz de um evento

Desligado do movimento em que eu me insiro

Eu sou do rap e represento o que eu digo

Mas sinto o maxilar em movimentos contínuos

A debitar um texto escrito por um tipo que não me é conhecido

E eu não controlo nem evito o conteúdo amoroso derretido

Eu não consigo ter um umbigo tão ambíguo…

Mas nestas visões eu danço e coreografo

Tenho um sobrolho depilado

Um enchumaço destacado

Tipo pau mandado de skinny jeans e cabelo aprumado


[Outro]

Bem, você também não precisa de exagerar não é...