Amiga, hoje lembrei como é que é acordar na sua casa

Ao som do liquidificador fazendo um suco verde

Com as frutas já cortadas, as folhas já lavadas

E eu pensei que foi um presente eu ter quebrado seu liquidificador antigo

Você já correu hoje?

Tá chovendo por aí?

Eu lembrei que faz umas cachoeiras nas suas calhas quando chove

E que a sua casa fica linda com o som da chuva

Meu testamento vai ter rimas e desenhos

Se eu soubesse que meu peito é leve

Que na sua mão até meu peito é leve

Que o nosso corpo é uma poesia então enfia as rima tudo e só depois delete

Se eu soubesse que era só ser leve e love

Me esvaziava de mim pra ser a musa dos meus próprios desejos

Tava transando com a morte, percebi me leve

Tava transando com a morte, percebi me leve

Minha calcinha tava embaixo do seu beijo

Gemendo seus pecados misturados com meu cheiro

Me sussurra em seu ouvido deixa eu ser o seu tempero mais leve

Me ensaboa com as espumas das suas manhãs

O meu fetiche é me desalgemar de mim

E ser a fronha que cê morde quando a vida dói

Eu sonha à toa que a vida é o que sobrou debaixo dos lençois

E a morte somos nós

Sua boca me destrói

E a noite somos nós

Acende os meus faróis

E a noite somos nós

E a morte somos nós

Então me leva pra casa

Deixa a loucura me fuder

Deixa que a trans separa

A tara que te cura da sua tara que te contamina

Você é a língua mais fluente do meu corpo

Eu sou matéria mas cê sente que eu sou abstrata

Eu sou a mina que te ensina que nem tudo é trap

Peque mas não esconde que cê transa meu beck

Na neblina no seu quarto com meu beijo

Fumando seus pecados misturados com meu cheiro

Me sussurra em seu ouvido enquanto o tempo vai

Enquanto o tempo vai

Passando e eu me despindo dos delirios

E cê pensando se seria uma sereia ou delírio tropical do mar

Cê tomba o sete e tem a dama de paus, então é só trucar

Debaixo dos lençóis a vida é só trocar

A vida é só trocar

E a morte somos nós a vida é só trocar

Sua boca me destrói a vida é só trocar

Sua vida é me tocar

Sou seu farol no mar

Sua morte é me trocar

Sua vida é me tocar

Sua vida é me tocar

Sua vida é me tocar

Ontem, amiga, eu vi uma mulher preta no metrô

E ela passava batom vermelho sem olhar no espelho

E ela guardava o celular dela no sutiã

E aí eu pensei, que peso a gente carrega nos peito

Que peso é esse que a gente carrega nas costas

Pra ser livre, pra não ser objeto de desejo

Pra não ser objeto da moral