Trapézio

By Johnny Virtus

Released on October 18, 2018

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[Verso 1: Virtus]

Podias sentar-te, há muito que não assentamos

Perceber se no trajecto

Para onde vamos, também tem anos

Acordei, ainda são duas da manhã

Penso em nós como certezas... se vamos ser duas amanhã

Matámos este ir embora, e embora não vá mudar

Precisas de dizer no fundo "até que a vida nos separe"

Reconheço, algumas datas são tramadas

Quando somadas são a prova de que quem vive em ti

Pode ser quem tu matas

Eu vejo isto de uma forma legítima

Nas vezes que se magoa o amor do outro

Sendo vítima

Eu sinto a quebra íntima

Pressinto a dívida física

Em toda a parte, quando me expresso

Fica um espaço e só sai mímica

Fomos dum abraço ao embaraço tantos meses

Porque é só no fim que vemos que só vivemos começos

Sou um homem feito em prole de não me fazer bem

Pedir desculpa custa mais do que a culpa que se tem

Mas…

Não é questão de lógica é a relação morfológica

Não recito ou declamo, repito o que reclamo

Na verdade que nos afronta sem frente

Que me desmonta e desmente

Esta é a segunda a vez que eu fico assim para sempre

Neste silêncio refunda no qual tu fumas

Não me interessa com quem dormes

Se não fizer com que tu durmas

Lembro

O teu sussurro entre os dentes

Ao dares-me um riso evidente

Éramos dois, mas fomos mais que muita gente

Roupa a engelhar no chão

Da sala ao quarto, por toda a parte

Encharcados

Só pressa na pulsação

Conversa no pós serão

Amarrados à sedução

A ver promessas

Ingénuas, mas tão gémeas na intenção

As nossas merdas, nunca mudei o que elas são

Porque eu não furto ou recuso

Mudo o lugar para onde elas vão

À parte do romantismo

O nosso apego

Tu sabes

Meus os cigarros

Tua a cidade, e nosso o tempo

A vergonha que nos cora e nos cala, tirou-nos esse interesse

Não há contexto que nos chame e invista no nosso acerto

Vem o stress do drama lembrar-te qual o preço

De não apressares o teu trauma de mudares de endereço

O nosso é um quarto com eco

É o princípio do erro

De quanto mais perto estás, mais eu te perco

Acredita, é mais forte do que a morte, compreendes isto?

Eu viver sem poder chamar um nome que ainda existe

[Refrão: SP Deville & Virtus]

Para que lado eu salto sem cair mais vezes

Não vês como ficar nem como ser diferente

Se na hora de ir embora havia a hora de ires agora

Resta-me esta canção com todo o nosso tempo

Para que lado eu salto sem cair mais vezes

Não vês como ficar nem como ser diferente

Se na hora de ir embora havia a hora de ires agora

Resta-me esta canção para todo o nosso tempo


[Verso 2: Virtus]

Tu viste bem que a minha falha é um atrelado

Quando me deito e não reparo que a cama tem outro lado

Como um dado adquirido, já pensava "salvo seja"

Mas quando a rotina arrasta, à noite boca só boceja

Não tenho, o que eu tenho é só o que eu tive

Um sonho bom contigo no qual eu não me contive

Escorrego e penso nisso e se a base do compromisso

É quem nos compreende ou quem compreende

Que não é só à base disso

Os passos fazem tantos caminhos que aos bocados

Nós prevemos que o melhor caminho é ficarmos parados

Pausas de dez compassos, resta mais um bagaço

Para me encontrar de novo num espelho com o vidro baço

É que eu chego com exigências que eu nem vivo

Incoerências que eu pratico

Ao fechar ciclos no meu círculo de egoísmo

Andei a fugir do sismo

Agora dói como exorcismo

Ao não te ter e suportar nos teus olhos o meu abismo

É normal se questionas o que nos junta

A pergunta deu-te a resposta?

Responde-me a esta pergunta

Confusa nas parecenças, há muitas que tu não vias

Já é costume eu sonhar e alto e cair em marés vazias

Mas para amanhã não sei, amor, o que o mundo propõe

Talvez eu seja outro para lá de onde o sol se põe

À pala da música, a conversa acaba sempre em mim

Porque nela vi o meu começo

E esta começou por ti

[Refrão: SP Deville & Virtus]

Para que lado eu salto sem cair mais vezes

Não vês como ficar nem como ser diferente

Se na hora de ir embora havia a hora de ires agora

Resta-me esta canção com todo o nosso tempo

Para que lado eu salto sem cair mais vezes

Não vês como ficar nem como ser diferente

Se na hora de ir embora havia a hora de ires agora

Resta-me esta canção para todo o nosso tempo

Para que lado eu salto sem cair mais vezes

Não vês como ficar nem como ser diferente

Se na hora de ir embora havia a hora de ires agora

Para que lado eu salto sem cair mais vezes

Se na hora de ir embora havia a hora de ires agora