Sono Profundo

By Johnny Virtus

Released on February 8, 2018

Thumbnail

[Verso 1]

Sou uma espécie de indivíduo

Com um défice de interacção

Num péssimo lugar que eu dividi o meu princípio

Conduzi-o, não fiz pausas nem corridas

Eu não andei adormecido

Só estive a acordar para a vida

O meu odor é claustrofóbico

E o meu teor já não tem tópicos

'Tou sozinho a tratar do meu piso

Quantos não pagam o meu riso

'Tou só a contar os trocos

Desliguem os holofotes que eu também quero dormir

Lá fora o que não deste, vês como uns dão na combustão

Que a rotina faz, mas nela vês como uns estão

Parto a cavilha a meio e medito

Fico à deriva à medida que eu vejo tropas

Trocarem o euro por libra de repente

Não há remendo que a distância suporte

Ou te dás com quem te rodeia

Ou tornas-te um redor

Eu estou indoor mesmo que a ida regresse ao mesmo

Passar do centro das atenções ao Centro de Emprego

É que também prestei serviço à espera

Que a Luci visse eu a agarrar numa medalha

Mas tanta tralha fez-me ser vice

É a gravidade do não, ter um vazão no vazio

E “Doze Nós numa Corda" p'ra ficar por um fio

Não há o meu quando sem como não fiz

Primeiro o meu cume sem ter primeiro

Pensado nisso um segundo

Não me exijam competências e rumos ou mais assuntos

Mais inúmeras coisas que ficam coisas com números


[Refrão]

Eu resisto ao que me acorda

Se isto é só uma prova eu corro o risco e não deixo o meu sítio

Eu fiz do sono a minha cova p´ra assumir a minha obra

Descanso em paz se ficar onde eu fico


[Verso 2]

Não há uma escrita que me dê essa coerência que medeia

E muda o plano que se vê para um adulto que planeia

Pior que duro é durar numa canseira sem freio

Pensar na sorte em sorteios para não pensar "Dum spiro spero"

Não te alicia se não andasses mais

A viver a esperança média de vida

A retina viu um sofá para quem a preguiça é óbvia

Eu vi-te com a fé ferida a perder a fome em paróquias

Há um silêncio que me engasga

Nos separa me supera e me rasga

E me força a força para uma lástima, mãe

Viste uma fórmula e não matéria

Achavas que encher a pança com filhos tira a barriga de misérias? Actos fazem-nos vê-los, brigas são novelos na casa

Onde a culpa grita os ouvidos têm paredes

Está dito e ponto mas noto que é um ponto e meio

Eu nem sei se 'tou meio pronto p'ra partir uma ponte a meio

Enquanto a mão coça a barba e eu rodo o pé dum copo

Há uma incerteza

Que eu sacudo para onde eu não olho

Agora remóis num relógio por quem se ausenta

As portas que o tempo bate

Perderam as maçanetas ficar só não é esforço

Mas necessário a muitos

Ajudo mais solitário do que solidário

Vi-me passar de honesto a modesto

E a aprender “outros modos” bro

Eu já tive opções, agora vivo hipóteses

Eu sinto um auge que paralisa eu estou no caos da "Anomalisa" com as pernas frias sentadas nos degraus

E depois? Passei bocados aos montes que não se juntam

E então?

São resultados de encontros que não resultam

É que eu sei, pessoas já são muitas as que vêem as nossas montras

Dançam nos nossos bares

Fumam nas nossas ruas

A nossa história podia ser como nos filmes

Mas foram tantos os filmes por saber de histórias tuas


[Refrão]

Eu resisto ao que me acorda

Se isto é só uma prova eu corro o risco e não deixo o meu sítio

Eu fiz do sono a minha cova p´ra assumir a minha obra

Descanso em paz se ficar onde eu fico