Released on January 21, 2012

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[Intro: Sophia de Mello Breyner Andresen]

"... nós vamos escolhendo a eternidade neste mundo, quer dizer, que é já aqui que nós construímos e criamos a eternidade, e aquilo que vamos encontrar é aquilo que nós formos capazes de encontrar já aqui."


[Verso 1]

Sempre, tenho vindo a tentar transformar

O que transformou Mensagem em algo de tão vulgar

Até sempre. Sinceramente, não tou acostumado

Ser julgado como um dado ou ser jogado como um dado

Tenho amor à camisola, não a vistas porque sua

Criticas por eu vender, é porque não sujaste a tua

P'ra cem braços cruzados. Eu não posso fazer mais

Eu dou um braço a torcer porque no outro eu tenho o mic

E p'a sempre ficarei assim. É isto que m'explica

Tou p'atrás mas p'ra sempre como alguém acredita

Até hoje. O que me custa perceber

Uns percebem p'ra desprezar

Outros desprezam p'ra não perceber

E se tudo já foi dito, deixei líricas sensatas

Não queiras dom da palavra, dá-me o teu tom das palavras

Admito não ser fácil ser fiel como o sotaque

Mas é fácil ser mais forte e ter uma vida inapto

Não perguntei a hora p'ra chegar e marcar ponto

Sou imprevisível como as 6 da manhã do Porto

Incomodado? Não, até tou bem acomodado

Sentado no meu sofá por nada disto ter mudado


[Refrão]

Até sempre, eu

E se eu não tou correto

Até sempre tu

Sentes-te incompleto

Até sempre, mas

O que é que tá mais perto?

Eu ser correto ou só lutar p'a ser eterno

Até sempre, eu

E se eu não tou correto

Até sempre tu

Sentes-te incompleto

Até sempre, mas

O que é que tá mais perto?

Eu ser correto ou só lutar p'a ser eterno


[Verso 2]

E com uns trocos levas o teu rap ao surto

Não tens quem to ature

Não tens quem atualize a atitude

Decibéis. O que tens porque vens. Não aceito um!

P'ra muitos sou um qualquer que não rapa p'a qualquer um

Leucemia musical pôs-me no local do crime

Por células imaturas escutarem o que eu rimo

Há sete anos em fase de degustação. Angústia

Sobrevive nos concertos a comer massa da indústria

Fechados tipo sufoco de novela

Ao menos façam-nos peixes em aquários como Herberto Hélder

Resultados mal conotados no corpo da cultura

Não interessa. Corte e costura não picam na postura

Lá fora, pingas de ingratidão deram-me surra

Eu vi cá de dentro, vogo, e não m'abriguei da chuva

Pressa. Eu tenho pressa de ser mais um em mim mesmo

E até que ponto isso não me faz sozinho duas vezes?

E nesses momentos em que esses tiram-me o pio

Sinto o tributo como um velho senil que acena a Deus

Enganado, olhei p'atrás como Orfeu, por ser capaz de ser eu

Ver o rapaz que não deu tudo e mais um que morreu


[Refrão]

Até sempre, eu

E se eu não tou correto

Até sempre tu

Sentes-te incompleto

Até sempre, mas

O que é que tá mais perto?

Eu ser correto ou só lutar p'a ser eterno

Até sempre, eu

E se eu não tou correto

Até sempre tu

Sentes-te incompleto

Até sempre, mas

O que é que tá mais perto?

Eu ser correto ou só lutar p'a ser eterno