Released on June 26, 2020

Thumbnail

[Letra de "Chagas"]


[Verso 1: LEVELL KHRÓNIKO]

Eu sou africano nativo e suburbano

E o continente berço foi abaixo a mais de 100 anos

Futuro está hipotecado, só nos resta o passado

E a história do sangue com o qual escrevemos o legado

A luta desenfreada para pôr o nosso nome no mapa

Mas é entre nós que consiste as contendas

A arma mais perigosa por aqui é a diferença

Mesmo quando a cor da pele, sabes, for a mesma

Os conflitos tribais e animais nos revelam

Olham para nós e vêem mais uma fonte de renda

Com um solo enriquecido e costumes retardados

Somos os monstros que combatemos nos nossos retratos


[Verso 2: DENÉXL]

Onde está o coração do africano quando ele quer ser o rei mesmo pisando no hermano?

Quer ser o vaidoso mesmo com pêlos no sovaco?

Mesmo que ser prejudicado e seus costumes estão intactos?

Não se importa em recorrer a magia, viver sem melodia

Macumbeiro sem melancolia

Aponta a culpa a boa vida do resto do colono

Quando ele próprio lixa o outro mbumbu pra subir no trono

E não quer ceder, cada vez mais rabugento

Tradições e morais que não se apagam com o tempo

Lamento como os africanos governam no terceiro mundo

Vê como o egoísmo transformou angola num país imundo


[Refrão 1: J WIME]

O teu amor é utopia

Não é filantropia

Onde está o amor pela terra

Tu não vês que nada tens

Deixas te levar por bens fúteis

Tu não tens amor pra dar


[Verso 3: ALUNO MESTRE]

O impostor mudou de cor, mas não mudou seus velhos hábitos

Prometeram-nos liberdade ganhamos dias trágicos

Criadores e assassinos dos seus próprios princípios

Quanto mais recursos naturais, mas fome, mais conflitos

Somos todos irmãos, mas de costas viradas

Seres bostas a dar a geração desencontrada

Reviver 500 anos de escravatura

O imperialismo é nova ordem mundial, democracia é ditadura

Mais uma tribo nessa aldeia global

Só mudou o contexto o regime ainda é colonial

Não és a África que seus filhos mais novos perspectivaram

Pobre e revoltada do norte ao sul do Saara


[Verso 4: XTYGMAXX]

Lágrimas de sangue pelo genocídio no Ruanda

Pelos manifestantes angolanos e a fome na Somália

Ao som de metralhadoras que que fuzilaram infâncias

Pelas minas que deixaram crianças mutiladas

Pregamos culto a democracias mascaradas

Como animais domesticados nesta selva africana

Ninguém se revê em Lumumba, Kwame Nkrumah, nem Sankara

Ajudas humanitárias só vendem África novamente

Nunca houve independência, somos reféns do ocidente

Terras sem água importam kalashnikovs

Gritamos bem alto, mas aqui ninguém nos ouve

Abaixo o Banco Mundial que põe África de dieta

E estas Nações Unidas que que fabricam nossa pobreza

E a por cada 10 ditadores nenhum Nelson Mandela

E a cada novo dia nasce uma nova incerteza man

Nasce uma nova incerteza


[Refrão 2: J WIME]

O teu amor é utopia

Não é filantropia

Onde está o amor pela terra

Tu não vês que nada tens

Deixas te levar por bens fúteis

Tu não tens amor pra dar


[Spoken: KOTA SEBAS]

Observo inquieto a mudança dos tempos

Como cabeças se fazem em passos lentos

Tchunas desfilam, aculturação implantada

Reféns de uma sociedade alienada

Perdendo os laços com a sua ancestralidade

Mostrando ao mundo a sua vulnerabilidade

Apesar de toda a grandeza histórica

Somos peões neste mundo presente, sem glória

Mas nem tudo é tristeza, nem tudo é vergonha

Sente a nobreza no homem que sonha

Reencontrado, reconciliado com o passado

Preocupado em deixar um novo legado


[Refrão 3: J WIME]

O teu amor é utopia

Não é filantropia

Onde está o amor pela terra

Tu não vês que nada tens

Deixas te levar por bens fúteis

Tu não tens amor pra dar