Released on March 9, 2018

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Letra de "Vitrines" com Inquérito & Zeca Baleiro


[Verso 1: Renan]

Vitrines lotadas, estoques vazios

Pessoas vazias lotadas de views

Repórteres e balas em busca de um furo

A paz foi roubada e não tinha seguro

A trégua é uma falsa, me engana que eu gosto

Tragédia dá like, me fala que eu posto

A vida é um selfie ou ela é um sopro?

Pra uns é um saco, pra outros um soco

Até o diabo, tio, abriu perfil no Facebook

Publica sem stop “se matem” em caps lock

E quantas Madalenas, quantas já apedrejamos?

Quantos filho de carpinteiro nós crucificamos?

Praticamos forte um esporte: individualismo

Aqui, se pá, só o transporte ainda é coletivo

Uma linha tão fina que divide ou aproxima

E a gente faz virar uma muralha da China


[Refrão: Zeca]

Vejo o mau tempo que se forma

Um temporal cruel brutal já cai lá fora

E aqui dentro a esperança chama, a esperança clama

Inflama o peito que arde e chora

O sol virá, eu sei, o sol demora

O espelho de Narciso só reflete a luz da hora

Mas creio no futuro, além do tempo escuro

A poesia reza presa na garganta agora

[Verso 2: Renan & Zeca]

Mendigos ao relento e anúncios de apartamento

Aviões jogam bombas, depois mantimentos

Doença vende remédio, violência segurança

Guerra vende arma, paz vende mais roupa branca

Cidade, sem mobilidade urbana, semana insana

Mais tempo dormindo no buso que na própria cama

A violência grita e deixa a gente mudo

O silêncio fala mais alto do que tudo


[Ponte: Zeca]

Vamos ver o sol depois da tempestade

Vamos lá, me dá sua mão

A vida por um triz nos trilhos da cidade

Vem ouvir minha canção


[Refrão: Zeca]

Vejo o mau tempo que se forma

Um temporal cruel brutal já cai lá fora

E aqui dentro a esperança chama, a esperança clama

Inflama o peito que arde e chora

O sol virá, eu sei, o sol demora

O espelho de Narciso só reflete a luz da hora

Mas creio no futuro, além do tempo escuro

A poesia reza presa na garganta agora

Vejo o mau tempo que se forma

Um temporal cruel brutal já cai lá fora

E aqui dentro a esperança chama, a esperança clama

Inflama o peito que arde e chora

O sol virá, eu sei, o sol demora

O espelho de Narciso só reflete a luz da hora

Mas creio no futuro, além do tempo escuro

A poesia reza presa na garganta agora


[Interlúdio - Poesia: Renan]

A gente é que nem os metais, tá ligado?

Uns são suave, outros pesa, uns são comuns, outros raros

Mas tem um que é zika: tungstênio

Duro e pesado como a realidade