Dívida Interna

By Inquérito

On Mudança

Released on November 21, 2010

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[Refrão: Pop Black]

Nascer, viver, vender, comprar

Comer, beber, morrer, chorar

Já nasceu devendo, só vivendo pra pagar

E a dívida com a gente?

Diz quem é que vai quitar


[Verso 1: Renan]

Vão quitar ou não vão, hein?

Ouve aí

Tudo mundo é livre pra sonhar

E realizar também

Ter dinheiro pra poder comprar

Isso te faz tão bem

A gente paga e se ferra

Faz em trocentas parcelas

Economiza quase zera

Espera, também pudera

O carnê vale mais que o RG

E você tem que ter pra ser

Não basta crer, você tem que acre-cre-cre-ditar

A felicidade perto da sua mão

Não precisa ter dinheiro, faz uma prestação

Compra agora, corre, aproveita a promoção

Com desconto paga à vista ou então no cartão

Propaganda, prato cheio, qual que você quer?

Volks, Fiat, Chevrolet?

Sony, Philco, CCE?

Adidas, Puma, Nike Air?

E as pessoas sempre presas em alguma empresa

Tiazinha, vítima, não fica ilesa

Foi pega, pelo comercial da tela

Alegria dividida em 24 parcelas

Já era!

Aposentadoria dela já era

Já era!

Desconta direto na conta

Não espera, não tem boi

O banco cobra nem que for na marra

Não passamos de um número de um código de barras


[Refrão: Pop Black]

Nascer, viver, vender, comprar

Comer, beber, morrer, chorar

Já nasceu devendo, só vivendo pra pagar

E a dívida com a gente?

Diz quem é que vai quitar


[Verso 2: RAPadura]

O nordestino vai, vai, vai, vai!

Dívidas reais, dúvidas iguais

Juros anuais, só aumentam mais

Vai, vai, vai, vai!

Impostos mensais, ataques brutais

Salário que vai, não volta jamais

Conta de água e luz

Renda que reduz

Leva todo meu empenho e tudo que compus

Se alimenta do que tenho

Cobra desempenho

Lucro não contenho

Seu desenho vai fazendo jus

Saldo negativo pro trabalho brasileiro

Que dá duro o mês inteiro

E não vê nada no final

Não vê um real, crime ideal, juro imortal

Desconto atual, tira nada no total

Bem material que vai extraindo o alimento

Pagamento é um arrebento

Movimento desigual

Rendimento violento, sufocando o sentimento

De quem trampa todo tempo

O fundamento é igual

Pra que os sonhos se calculem

Horas extras que me saem

Quantas vezes se concluem

Tarifas que sobressaem

Sempre traem, trabalhadores

Vitrines que distraem

Reprodutoras de brindes que te atraem

Te contraem, vendem mais, nunca caem

Além do imposto que é imposto pelo seu oposto

Que não mostra o rosto

Ao povo fez um aborto

Depois que foi posto em cargo exposto

Pouco foi composto, gasto com conforto

Sem saúde, sem esgoto

Cadê o nosso dinheiro investido na educação?

Sem escola, sem emprego, fonte de alimentação

Pago muito em transporte, mas não tenho condução

Pago sem ter condição pra

Beber, comer, dever, viver, correr, fazer, morrer, querer e não poder

"Ordem e progresso" tá difícil de ver

Esse processo pro regresso

Sem ação, sem poder, por quê?

Cobra dívida da história

Com juros de quem explora

Escravatura de outrora

Não venderam a memória, ora!

Trabalhos rurais

Imigrantes fazem mais pelas suas capitais

Concretizam ideais

Constroem mais que sonhos e centrais

São expulsos como intrusos

Com a roupa e nada mais

Vai, vai, vai, vai!

Paga a nossa dívida sem preço

Isso é o começo da nossa cobrança

RAPadura não descansa

Em andanças, encurtando a distância

Gritando a importância de quem quer mudanças


[Refrão: Pop Black]

Nascer, viver, vender, comprar

Comer, beber, morrer, chorar

Já nasceu devendo, só vivendo pra pagar

E a dívida com a gente?

Diz quem é que vai quitar