Artesanato Eletrônico 2.0

By Inquérito

On Tungstênio

Released on March 9, 2018

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Letra de "Artesanato Eletrônico 2.0" com Inquérito


[Interlúdio - Poesia: Renan]

Tungstênio é treta, guenta o tranco

Bala de fuzil, broca, lança, armamento, explosivo

Foguete e até nas aliança num perde o brilho

A bolinha da ponta da caneta é de tungstênio também

E me ajuda a desenrolar as ideia


[Verso 1]

Isso é um beat vazio com um MC cheio de letra

É um rap, é um trap com chumbo na caneta

Marreta, guindaste, cruz, tonelada

Ou qualquer outra palavra pesada (pesada)

Réu confesso, rap adicto, convicto

Seis disco invicto, não MC eucalipto

Que cresce rápido e só empobrece nossa terra

Em três anos já era motosserra

Eu vim pra ver a paz em cada sem-blante

Cantar e bota fogo no baguio sem blunt

Coxinhas não entendem, não, não consegue entender

Que nóis já era esquerda bem antes do PT

Sem essa de partido, sempre fomo inteiro

O rap é livre, zé povinho que é carcereiro

E se você começou ontem a tarde

Vai dar um Google ver o que é uma Garrard


[Verso 2]

Dou nó na gravata ao nó na garganta

Mentiras que vendem domingo nas banca

Ódio self-service, amor fast food

Heróis fabricados, made in Hollywood

Da maçã da Eva pra maçã da Apple

Viva o pão e circo, novela e boteco

Protesto de plástico, revolta tão rara

O medo é o imposto que ninguém declara

No país da delação premiada, escuta telefônica

Obra superfaturada, faraônica

Qualquer partido faz o PCC parecer Turma da Mônica

E nóis tá dend’água tipo alface hidropônica

Tem gente morrendo se desesperando

E o que eles fazem socorrem os bancos

A imprensa imprime a jato de sangue

E recarrega os cartucho a cada bang, bang


[Verso 3]

Eu sou um Pé de Cabra às três da madrugada

Na porta da biblioteca que vive trancada

Sou um livro no fundo da sala, no fundo da escola

No fundo duma quebrada, no fundo do país

Onde professor da aula sem ter lousa e nem giz

E aposentaria é privilégio de juiz

A salvação é uma imagem na estante

Jesus virou marca de refrigerante

Sou metamorfose ambulante, contradição

Um sarau no meio da terra da Festa do Peão

Bancada por alguma marca de cerveja

Velando a finada, música sertaneja

Sou favela vive enquanto os playboy morre

Gastando a herança com coca, puta e porre

O bem e o mal, o trágico e o cômico

O velho e novo artesanato eletrônico