Um riso escancarado
De branco parafina
Na boca tangerina
O cego me fez ver mil Brasis de uma só vez
Nas fitas das Folias de Reis
Ô, cego alucinado
Barro marajoara
Na colcha de retalho
O cego me faz ver mil Brasis e ainda mais
Nas cianinhas dos carnavais
Vou de liforme branco na Dorival jogada
Na asa da jangada, eu vou por cima d'água
A namorada do céu
Sou herói de cordel
O cego quer ver alguém cantar em javanês
Aboio triste no entardecer
Cego surrealista
Um trem de celofane
Trilhando um xilofone
O cego me faz ver nos vеstidos dos varais
As prostitutas louras do cais
O mar desde Arraiolo
Na água pro monjolo
O fio da navalha, o couro da sandália
A talhadeira е o cinzel
Cordas de um menestrel
Na carranca branca da barcaça a garça
Da alma pousou
Com licor do guapo genipapo
Um gaio papagaio eu sou
De porre, num fogo romã de manhã
A saudade que eu trouxe
Me faz ver Oxum de bermuda, me acuda, fazendo windsurf
Na ponta de Itapoá
No rio Maracanã
E o cego me diz que ela é feliz
Com tantos Brasis
Um riso escancarado
De branco parafina
Na boca tangerina