Dormitórios

By GROGNation

On Dropa Fogo

Released on January 14, 2013

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[Scratch]

Abram os olhos e vejam como vê

Aqui, em Moz ou Brasil, Angola, Guiné, CV

Dormitórios


[Verso 1: Nastyfactor]

Eu sou da Segunda Vaga, a continuação da saga

A paga pela chaga que deste putos nos afaga

Rugou-nos uma praga difícil de ultrapassar

Com parceiros trapaceiros a quererem-nos traspassar

Prefiro a transparência a uma aparência singular

A simular ser algo sensato de se dissimular

Sintra nada exemplar mas dreads 'tão na casa

Para faze-la falar caso duvida restar

'Tar na terra do pecado e não saber nem metade

É como xonar acordar de olho aberto na verdade

É altura de parar, respirar e comparar

Porque o que procuras e o que te dão não tem o mesmo paladar

Mas se tu vives para agradar… ok, não penses tanto

Eu sei que 'tá-te a chamar aquele Air Force branco

Não te iludas, pessoas não são como tu julgas

Muitas tão em pulgas pa’ ver quando tu te afundas

Mantem-te á coca, acorda boy, topa

Será que conheces o madafocka a quem tu chamas tropa

São terceiros interesseiros com segundas intenções

Os verdadeiros falsos pros em manipulações

P'rós que são bocas de broche e dão deboche sobre nós

Dou-lhes um coche de trela na garganta e dou-lhes nós

É assim que acontece na LS, Algueirão

Onde ninguém esquece quando tá em stress ou pressão


[Verso 2: Harold]

Bem vindos, entraram numa nova terra

Pobreza espiritual, racismos e guerra

O people faz da capa fonte de apresentação

A tua mente é tão vazia como o bolso e a tua mão

Blocos racistas só vez na hora da eleição

Trabalham com jornalistas que trabalham teu cifrão

Teus brodas não são leais e tu chamas de irmão

Recordam instrumentais quando tiveres no caixão

Mas e então? A vida é tua, ok… não me meto nela

A vida não foi puta tu é que viraste cadela

E essa luz no fundo do túnel não te iludas é só vela

Mais cautela, tas banal como o resto da cidadela

Naquela, sujaste a tua vida de encanto

Tua fama 'tá tão suja como a sola desse airforce branco

Eu tenho sorte tanto, mas não sou tanto santo

Também quero ser nº1 mas suo entretanto

E vim entre tantos que só ouvem rap

Que nos confundem com esses wacks de snapbacks

Faço pelo real Hip-Hop do tempo das cassetes

Dos rappers phats que se eternizaram nos nossos decks

E dá-me pena vida insana, profana

Ver manos crescer no bairro e morrerem na cana

Teres que safar de qualquer lado ou ganhas má fama

E esse que fez de ti escravo faz férias com a nossa grana


[Verso 3 - Papillon]

O futuro é o X incógnito que ninguém adivinha

Por isso mantém sempre o olho aberto para o que se avizinha

Pois há fuinhas a dar cum' pau aqui nesta linha

E se o diabo quer te dar com o pau pela espinha acima

Sai da cozinha se não queres comer o pão que ele amassou

Rima minha, escolha tua, depois não reclama só

Não te dês pra' pro se tu não passas de um amador

Eles entram sem dó, de pés juntos, e tu só sais com a dor

E que a segunda vaga traga mais mensagens sem correio

Sem rodeios, balázios verbais, sem tiroteios

Não creio em ilusões, ficções ou devaneios

Me baseio em colher apenas aquilo que semeio

Nigga é feio ser trapaceiro p'ra ficar em primeiro

As vezes a vida é um sorteio e disso ninguém está alheio

Mas dreds para atingir fins, já nem olham a meios

E jogam roleta russa com os carregadores cheios

Isto é alimento pró' pensamento, só p'ra mente famintas

Antes de engolires cá p'ra dentro vê se mascas e trincas

Não percebes não à maca, eu faço um desenho tu pintas

Pois people que só vê paca à frente está-se sempre nas tintas

Sotinco, Barbot, Robbialac, não se joga paintball no Iraque

Não adianta falar de amor odiando, deixa isso para o Olavo Bilac

Santos, pecadores, habitantes, moradores

Com tantas cores mas o preto é o mitra

Dentro do guetto ou fora, se não sabes decora

Cão preto nunca cora bem vindo à linha de Sintra


[Outro]

Bem-vindo á linha de Sintra, linha de Sintra …

Bem-vindo á linha de Sintra, linha de Sintra …

Bem-vindo á linha de Sintra, linha de Sintra …

Bem-vindo á linha de Sintra, linha de Sintra …