Correntes

By GriLocks

On NIMBUS

Released on May 10, 2019

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[Verso: Silva O Sentinela]

Procuro-te em todos os carros cinzentos com medo de ver o lugar do pendura ocupado

Queria voltar ao teu Atlântico, dançar o teu samba com uma criança mascarada no Carnaval

Ando pela cidade sozinho, caminho quilómetros pelo deserto dos prédios, longe da paz, fujo ao estar parado

As saudades assam, o ciúme carboniza, casais em restaurantes, tenho medo da verdade do meu amor

Suplico em suplício, agarro-a no precipício, ela deixa-se cair...

À mercê da sua mão, memórias, ruas, sítios, silêncios cúmplices, sorriso, perdão

O frio, insensível, fio inquebrável, a negligência inaceitável que altera o amanhecer

Enquanto isto, o cliente não quer saber, o serviço é para fazer até o dia entardecer

Limpo a glória do teu corpo, és minha mais um pouco

À noite caço ciumento, tento ver no escuro desgovernado, agarro o coração para não ficar acordado

Já choro a horas certas num alívio calculado

As lágrimas caem modestas

A música que faz sentido, a letra, a musa, a valeta

Um cego sem ampulheta, o "Aconchego" da Tieta

Então volto a estar sozinho

Cada dia é uma noite

Acabou

O dia nasce, a esperança pérfida de acabar contigo