[Intro]

Aí, a periferia 2000 é humildade pra vida


[Refrão]

Vida

Vida

Vida ao povo da periferia

(Eu disse vida)

Vida

Vida

Vida ao povo da periferia

(Periferia tarde, noite e dia)


[Verso 1: Japão]

Aí, GOG, eu tô com as letras, umas ideias (sei, JP)

Desde o show lá do Rio (aham)

Ideia forte com Buiú da 12 e o MV Bill (só irmão)

Aos pés do Morro do Juramento, só preto ao vivo, samba 100%

A prova viva que a humildade, sabe (aprendizado)

Vale mais que qualquer faculdade

Essencial na formação do rapper de verdade

Eu subi o morro (e aí, e aí?), me senti o Zorro

É, a vontade foi de bater de porta em porta, de barraco em barraco

Chamar meu povo pra descer e resolver de uma vez por todas (o quê?)

Afinal, nosso sofrimento já completou várias bodas de ouro, de diamante, de descaso, de sangue

A cidade vista lá de cima com suas praias e ilhas, pronta pra ser invadida

A causa é justa, malandro, se liga

E se chama vida (vida)


[Refrão]

Vida

Vida

Vida ao povo da periferia

(Acredite na vida)

Vida

Vida

Vida ao povo da periferia

(Periferia tarde, noite e dia)


[Verso 2: Dino Black]

Aqui quem fala é Dino Black, preto furioso na rima

Que, sem o rap, seria só mais um pretinho

Premeditando o seu próprio fim, olha pra mim

Droga, polícia, revólver

Ah, é, me diz o que resolve nas coras

Se raciocinar é o que resolve

Rasguei esse cartilha pra escrever a minha

A saga de uma família nordestina

Que chorou na despedida, na hora da partida

Sol a sol pelo prato de comida

Eu me lembro, a plantação, o gado morrendo

Já não sou bobo, conheço bem o jogo

É por essas e outras que eu não me rendo à Rede Globo

E nem aos falsos bandos

Que insistem em empurrar goela a baixo

A farsa dos 500 anos

Aí, a indenização por perdas e danos

Sou periferia, tenho meu talento

Chega de ser guiado pelo vento

Tendência suicida

Aí, veio, a passagem é só de ida


[Refrão]

Vida

Vida

Vida ao povo da periferia

(A paz do mundo é você)

Vida

Vida

Vida ao povo da periferia

(Periferia tarde, noite e dia)


[Verso 3: GOG]

Fogos de artifício

Carne por minha conta no churrasco do Maurício

(23 e parece impossível)

Parece exagero, não é não

Faz parte da comemoração

A chegada sem volta do rap (nacional) na periferia

Mais forte que a extrema-esquerda sonhou um dia

Ou os Caras Pintadas da falsa rebeldia

A cada descoberta, euforia

Mais uma página escrita, alegria

Aprendizado longo que assim se inicia, ouve aí (diz aí)

Eu sou, eu sei, pedra preciosa da periferia

Lapidada ao suor do dia a dia

Eu sou fugitivo da prisão, da desinformação

Carcereiro do raciocínio

O palco, por alguns instantes, tá sobre o meu domínio

(É G-O-G na fita)

Mas não se iluda, eu não estou sozinho

Tem Beija-Flor, tem Neguinho

Tem Cohab, tem Netinho

Tem contribuição anônima pra Casa da Mãe Preta e pro lar dos velhinhos

Tem G-O-G pra vida e muita pedra no caminho


[Refrão]

Vida

(Então, irmão)

Vida

(Tá na hora de acordar)

Vida ao povo da periferia

(É hora de salvar a favela, salvar os barraco, salvar as quebradas)

Vida

(É chegada a hora de fazer a minha, a sua mãe sorrir)

Vida

(É chegada a hora...)

Vida ao povo da periferia

(...de ver a alegria estampada no rosto de cada humilde)

Vida

(A paz precisa de você)

Vida

(Jesus Cristo existe...)

Vida ao povo da periferia

(...e habita dentro de você)

(Viva todo Brasil)

Vida

(A fé é nula)

Vida

(Se ela não existe pra você)

Vida ao povo da periferia

(Acorde, meu povo, acorde Brasil

A estrada é longa)