Released on November 2015

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[Letra de "Vaidade" com GOG, Zé Brown e Kalyne Lima]

[Intro: Kalyne Lima, GOG, (Zé Brown)]

Original rap Brasil

Desse jeito, música preta periférica brasileira

É o Nordeste (vish)

Os três tambores

Tamo junto, hein

(Kalyne Lima)

Presente

Ativa e operante, chega


[Verso 1: Kalyne Lima]

Paraíba, nordestina e, sobretudo, feminina

Mulheres comandam o exército das colheres

Crianças famintas batem na mesa com talheres

Ao meio-dia, a combatente de patente, Maria

Mãe de tantas filhas nessa terra sem estia

Serve ao batalhão a refeição que tem no dia

Muitas vezes não passa de água com farinha

Pra chegar até aqui já vendeu tudo o que tinha

Luta contra o tempo, contra a seca, a exclusão

Contra a violência, o machismo, a tradição

Que lhe colocou numa posição que não se conformou

Vive na busca de mudar o que ofusca o seu valor

E no passado, o roçado não deu um resultado bom

Mas vai mantendo a resistência sem perder o dom

Não se entregue à fraqueza

Simplicidade, sua realeza

Mistura de fé, sabedoria e beleza


[Refrão]

Vaidade, todo mundo tem

Quem disser que não tem vaidade, vaidade tem

Vaidade, todo mundo tem

Quem disser que não tem vaidade, vaidade tem

[Ponte: Zé Brown, Kalyne Lima]

Diretamente da comunidade do Alto José do Pinho

Agora é com você, meu parceiro

Humildemente, Zé Brown

Chega mais

Mandando esses versos

Coisa fina, né, não, Zé?

Vish


[Verso 2: Zé Brown]

Estou no Nordeste, que diante da vaidade

Arrodeado de um cenário de criatividade

Ilustração natural em uma nação despreziva

Onde o auto-estilo não tem contagem regressiva

E assim procede os efeitos da natureza

Onde o mais humilde investe na sua beleza

Pano de chita aqui é um valioso tecido

A elegância do negro velho, bem estabelecido

Sempre cheiroso, postura, seguindo padrão

Como Maria Bonita, Corisco, Dadá e Lampião

Pernambuco, Bahia, São Luis do Maranhão

Trazem na vaidade sua representação

Na romaria de Padre Ciço rumam a aquarela

Magia bela no sorriso de Dona Stela

O brilho nos olhos, nos cabelos da donzela

Roteiro verdadeiro que não se vê numa novela


[Refrão]

Vaidade, todo mundo tem

Quem disser que não tem vaidade, vaidade tem

Vaidade, todo mundo tem

(Maior satisfação)

Quem disser que não tem vaidade, vaidade tem

(Tá fazendo parte dessa história)


[Ponte: Zé Brown]

Se Deus quer assim, assim vai ser

Vish, poeta GOG


[Verso 3: GOG]

Amigo, Zé, tudo, tudo vai dar pé

Kalyne, mama África ama você com fé

Jackson do Pandeiro, mira negra canção

Ira e uma Tiger, Bola 8, consideração

Relato consciente, centro histórico, rua do hospício

Pablo jovem, miss Aurélio, vinil permitiu isso

Miguel Farias, Capiba, confluência tudo a ver

Com pisos de barro e KSB, barracos de sapê

Casar sem cama, sonha na rede; Pedro Luiz e a Parede

Coco Raízes de Arcoverde, beba se você tem sede

Cuscuz do milho cozido no pano de prato

História lindas, lindas, das idas e vindas ao Crato

No mundo livre das ruas do Alto Zé do Pinho

Forró, festa, farra, agarradinho, mais belo ninho

Vestindo repentistas, seresteiros, prosadores

Nação Zumbi, Chico vive nos mangues e tambores

Alceu Valença abre a janela, distribui bom dia

Lenine, Silvério Pessoa espantam a monotonia

Lula Queiroga diz o habitat da felicidade é a brisa, chão que vem após a forte tempestade

Céu sem nuvens, sol belo azul vai raiar

Dona Lia, folia da Ilha de Itamaracá

Deixando lula de azeite, que raiz nota cem

Vaidade, quem não tem?

Na dose certa faz bem


[Saída]

Vaidade, todo mundo tem

Quem dizer que não tem vaidade, vaidade tem

(Oxe, ô moleque

Oxe, cabra arretado)

Vaidade, todo mundo tem

(Intercâmbio Natural, GOG, Kalyne e Zé Brown

João Pessoa, Paraíba, mais uma conquista pra nós)

Quem dizer que não tem vaidade, vaidade tem

(DF, Brasília, desse jeito, meu querido

Recife, Pernambuco

Terra de gente, muito orgulho

Maior satisfação, professor

Você é um mestre pra mim, parceiro

Que Deus abençoe sua trajetória

A nós, irmão

Axé

A nós, irmã

Valeu)