Espelhos

By GÁBE

Released on November 3, 2016

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Apesar do peso que eu carrego ainda me sinto preso

Falso ego aqui tira o valor do prazo

Meus princípios manteram esse fogo aceso

Mas, ainda é preciso dar uma chance pro acaso

Bem que eu queria viver sem me lamentar

Me ver aqui despontar, crescer sem desapontar

O que eu seria se fosse pra lá mentir

Pudesse me despedir, quisesse despedaçar?

Nessas paredes que me impedem de mover

Essa é a janela que me deixa respirar

A paisagem é a cama pro sol nascer

Mas o peito ainda é apertado demais pra esse céu passar

Quando será que vão ter o suficiente?

Só sangue e alma não enche o recipiente?

Mantive calma entre eles, cresci ciente

Que não existe pena pior pra esse réu trilhar

Meu inimigo é meu ego

As vezes me pego a pensar

Se, livre do apego eu me vejo com medo

É preciso me concentrar

Foi preciso recomeçar

Foi preciso reconstruir

Sair desse sistema

Quebrar as algemas

Que ainda nos prendem aqui

Todos presos dentro um padrão de estética

Em atalhos pro futuro nas janelas cibernéticas

Renego a lei do estado, acredito nas leis herméticas

Deuses astronautas, não políticas patéticas

De formas sintéticas, encontramos saídas

Mentes céticas se encontram distantes da vida

Em substâncias que não dão a sapiência devida

Vai dar importância pra saúde quando perder a batida

E o espírito vazio preso num ego inflado

Faz com que tudo seja frio como em um dia nublado

Criando apenas mais androids a serviço do estado

Todos abaixo de tabloides onde nada foi explicado

É tudo complicado, sendo algo programado

E o prazo de validade dessa vez foi antecipado

Produto saturado, mercado: entretenimento

Mantenho o ego calado na cidade de cimento

Meu inimigo é meu ego

As vezes me pego a pensar

Se, livre do apego eu me vejo com medo

É preciso me concentrar

Foi preciso recomeçar

Foi preciso reconstruir

Sair desse sistema

Quebrar as algemas

Que ainda nos prendem aqui

Cadê meu mérito? Conceito emérito desde o pretérito

Prefácio dos fatos, fácil desde o primeiro inquérito

Desde o segundo incômodo entres ventres leais

Mano... meu cômodo não me conforta mais

E eu me comporto, não me conformo, não me renovo

Ainda to morto, no meu porto atraco e não mais retorno

Contorno como um feito aceito por intraneus

Essas palavras me acolhem mas não servem pra outros 'eus'

Então fecha o acordo em Zeus e acorda pra novos raios

Concorda, menos amores nos próximos maios

Entre fracos, copos e focos aos cacos

Sem saco pra sacros ou falsos pitacos

E eu entendi que fortalece tudo que machuca

E fortifica o antidoto dessa arapuca

Arameus não eram mais seres de fé

Eram mais como eu até que um dia eu vi que...

Meu inimigo é meu ego

As vezes me pego a pensar

Se, livre do apego eu me vejo com medo

É preciso me concentrar

Foi preciso recomeçar

Foi preciso reconstruir

Sair desse sistema

Quebrar as algemas

Que ainda nos prendem aqui