Released on December 14, 2016

Thumbnail

[Verso 1: Fuse]

Mergulho em mim, sinto a água na pele

A luz da vida reflete num mar de papel

Tão real como a corrente que por dentro me flui

Elemento água que me leva para o que fui

Recordações não boiam, passam mesmo por mim

O meu passado é tão fundo, eu não me lembro do fim

Nado de olhos abertos, cada vez mais distante

O meu bairro debaixo de água é tão brilhante

Em criança, família é como um canto coral

Notas tão perfeitas que a alegria é musical

Agora quente, agora frio, pressão puxa p'ra baixo

Andar às voltas foi tão bom, adolescência é remoinho

Eu sinto que não estou sozinho

Olho nos olhos do meu falecido avô num golfinho

Regresso ao cimo da alma e respiro

Lágrimas ficam p'ra trás num rio enquanto caminho


[Refrão: Gonçalo Santos]

Eu olho lá fora

Chove na minha alma

Engulo tudo o que vi

E as palavras que ouvi

O gelo agarrado a mim

O passado não me deixa ir

Deixem-me em paz

Está frio demais

Eu olho lá fora

Chove na minha alma

Engulo tudo o que vi

E as palavras que ouvi

O gelo agarrado a mim

O passado não me deixa ir

Deixem-me em paz

Está frio demais


[Verso 2: Fuse]

Porque é que tudo mudou? Já não me lembro

A corrente é mais forte que a barragem do tempo

Destrói o ferro e corrói sentimento

Caminho com frio numa floresta de gelo

Porque é que o coro já não canta? Só grita

Canção sem notas musicais não tem harmonia

Porque é que o bairro mudou?

Já só o vento é que assobia como um cemitério que congelou

O gelo sobe-me as pernas, não me consigo mexer

Tantas caras de vidro sem expressão de viver

Memória doce de um outrora pintado a mel

Mas o salgado do agora é borratado a pincel

Família não se ama, amigos 'tão distantes

Crianças nascem sem gozar o que os pais viveram antes

Não resta nada, agarro-me ao que sobra

Como um dente de leão, aguardo o vento que me sopra


[Refrão: Gonçalo Santos]

Eu olho lá fora

Chove na minha alma

Engulo tudo o que vi

E as palavras que ouvi

O gelo agarrado a mim

O passado não me deixa ir

Deixem-me em paz

Está frio demais

Eu olho lá fora

Chove na minha alma

Engulo tudo o que vi

E as palavras que ouvi

O gelo agarrado a mim

O passado não me deixa ir

Deixem-me em paz

Está frio demais

Eu olho lá fora

Chove na minha alma

Engulo tudo o que vi

E as palavras que ouvi

O gelo agarrado a mim

O passado não me deixa ir

Deixem-me em paz

Está frio demais

Eu olho lá fora

Chove na minha alma

Engulo tudo o que vi

E as palavras que ouvi

O gelo agarrado a mim

O passado não me deixa ir

Deixem-me em paz

Está frio demais


[Outro: Gonçalo Santos]

Está frio demais