Released on December 14, 2016

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O silêncio fere...

Este agudo...será da dor ou estarei cego....

O elmo amassado esconde-me a visão

O meu corpo ensanguentado deitado no chão...

Os meus soldados onde estão?

Todo o flanco inimigo espalhado as cinzas voam sinto o cheiro à podridão

O som das moscas...estou enojado

Corpos que vomitam larvas, cheira a osso queimado

Não consigo levantar...esta armadura é tão pesada

A minha espada está manchada de encarnado da batalha

O meu corpo diz “desiste, entrega-te à morte”

O meu pensamento diz “foca-te, sê forte”

Consigo rastejar até ao leito de um riacho

Ao distante, o meu sangue escorre pelo rio abaixo

A memória só me leva até à perda da visão

Perfuração no dorso....terá sido traição

Aterrorizado pela lição de quem caminha lado a lado nem sempre te dá uma mão

Esquecido...

Focado na punição...sou soldado de um castelo sem torres de proteção

Encosto o ouvido ao chão como um caçador de escalpes

Ainda sinto o cavalgar dos primeiros ataques

Fecho os olhos...ainda oiço aqueles gritos

O som do ferro ainda me causa calafrios

Afuguento abutres...são vultos necrófagos

Faço vénia à escuridão em respeito pelos corvos

Cercado pelos uivos...sombras que têm olhos

Fantasmas não salivam...nem rosnam como lobos

Rancor é uma laranja que a honra não espreme

Se eu forjar o ferro em mim eu sei que o medo derrete

Vou subterrar a minha mágoa na caverna onde o esquecimento nasce

Onde o sol bate e a glória floresce

Pedi ajuda aos deuses...ninguém responde

Caminho até ao buraco onde a coragem se esconde

Onde o ódio adormece, onde a vingança corrói

Onde a saudade me esquece, onde a força se colhe

Formei o exército do EU...

Um coração em marcha de um soldado que se ergueu

Mau tempo é introspeção, viajo atento atrás no tempo

Até à introdução do livro em branco eu leio quem sou

As aves voam para trás, o vento devolve as folhas mortas à floresta

Os anjos lutam para ver quem me leva

Não há riqueza mais mortal que uma mente que enxerga

Suave como a lâmina na seda eu rompo a névoa

Acordo novamente, recordo novamente

Aquela fonte de onde eu bebo eu hoje sinto-me diferente

Sonhei que algo em mim faleceu ou renasceu

Será que foi a água que mudou? Ou fui eu...