Released on October 17, 2018

7K Views

Thumbnail

[Letra de “Bilhete I”]


[Verso 1]

Cansado de correr na direção contrária

Eu faço tudo errado

Onde está o erro, é fácil me encontrar

Eu não sou poeta, eu não sei cantar

Mas não vi ninguém fazer assim

Você pode ir embora agora, mas

Eu sou o amor da sua vida

Você derreteu meu coração e agora estou chorando

A dor me dá tesão, me dá composição e tempo pra pensar

Eu quero descobrir o quê que a gente fez de errado

Eu quero começar de novo, você pode me desculpar?

Vamo voltar pra casa, eu juro

Eu tô sabendo de um portal num matagal no Mato Grosso

Meus vinte anos de boy se foram

Meus discos funk, punk, rock, bad era o diesel, combustível

Tudo foi como um sonho

Esquizofrênico ao saber que um sonho

É mais real que a própria vida

Sem os sons de rima, hoje ela perdeu pra lírica

Barulho pra batalha, nada me atinge, o acaso me protege

As cinquenta e quatro vidas falhas

Sem trocar as pilhas, baterias de exame

Mostra com certeza, a caixa de surpresa

Natureza vai tentar mais uma vez


[Refrão]

Vem, sente o raio, caindo duas vezes no mesmo pico

Trocando a sanidade por mais um bico

Cuidando do meu próprio umbigo, então, vem comigo


[Verso 2]

A morte implora, vem comigo, ainda vivo, me sentindo horrível

Infinito, mano, “imorrível,” então, deixa a família toda fora disso

Fim da série, ah, todos mortos

Sou o mesmo cara, só que outros olhos

Esses olhos mostram como somos

E não somos monstros, só estamos mortos

Só ovelha, onde estão os porcos?

Homens da coleira não liberam os rostos

Onde estão os porcos, de quê vale os dreads?

De quê vale os sonhos, de quê vale os votos?

O tempo não passa, só os dias

Só a luta e só a lua

A mesma rua, só aumenta as horas

A-ah, ora louca e ora bruxa

Amo as duas, se marcar tem dúzia

Desesperada pra tirar o atraso

O desespero não vale o emprego

Não vale o dinheiro, não vale um orgasmo

Jesus Amado, nesse dia eu tava inspirado, aí

Eu podia ter pintado um quadro, tudo cinza, tinta, brisa

Eu sou um viciado, então, vem


[Refrão]

Sente o raio, caindo duas vezes no mesmo pico

Trocando a sanidade por mais um bico

Cuidando do meu próprio umbigo, então, vem comigo