Released on August 1, 2019

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[Letra de "Filhos do Risco 11 - Tempestade" com NP Vocal, Sant, Radha MC, Mano Hick, Leal e LK o Marroquino]


[NP Vocal: Verso 1]

E só de tá no corre, a rua é certa

Ali tem um viaduto, chama luta, no final cruza

Com a praça do progresso, do lado do beco da conquista

Vai lá ver se eu tô na esquina, numa dessa vai que sai um feat

A via é de mão dupla pra nóis que não tá nessa porra por hype

Vida longa, rap sujo, pau no gato

Paparazzi quer meu flash e a polícia sempre embaça

Nossa banca é papo de assalto e fumaça

Morte ao jack da quebrada, Ave Maria

Cabe produ's na madruga e nóis destrava

Outra noite mal dormida, outro som bom na cartola

Aquela sensação não passa

Amanheceu e as Dona Elvira entra no bolso dos cachaça

Marmiteiro, lousa branca, língua, preto

Condes Dráculas na fava'

Até amanheceu de novo, é lua cheia

Vem, e elas tão de graça

Minha muié já mandou o mapa de mensagem

Achando que eu tô com uma desgraça, de um rabo de saia

Uma garota desalmada, dentro da fava' daquele modelo

E amanheceu denovo, eu corto a depressão na máquina

Mas outra vez, anoiteceu denovo

E e nóis tá como? Dentro da fava'

Daquele modelo monster dog

Mano das Arábia é o Radha, papo (É!) RCK na área, Danielzin (É!)

E o beatmaker com nóis, vem catraca de responsa

É PrimeiraMente, respeita minha área

Zona Leste, é VP, então vem que vem mas não

RCK, nóis se econtra, usa, grava (Ha!)

Daquele modelo, Radha das Arábia, fala (Ha!)

O gordin da COHAB com nóis, sabe, passa

Família (Ha!) Daquele teu jeito, vem, fala!


[Sant: Verso 2]

Quatro preto no Uber Black, um cana preto nos para

Quem diria? Se a nagô fosse chanel, não pararia

Situação corriqueira, correria à prova

Leões gargalhando, hienas na cova

Não chame de lar se é alojamento

A todos irmão que 'tão privado, lembre: o Sol ainda brilha dentro

Aposto no tempo ou fuzilamento...

Mar' nas duas opções solução é quase um lamento

E o que tem me livrado, voltar pro centro

Um rolé no quarteirão, ver meu bairro e seguir o exemplo

Manter o certo em honrar o velho...

Pros novin' que quer se ver

Nóis ser espelho, assim ser eterno

Entender o processo...

No fim das contas, hip-hop é igual Jesus

Loiro dos olhos azuis... Falei mermo

(Chama, Sant!)


[Radha MC: Refrão]

Pode pá que o tempo vai abrir

Tempestade nói' vamo buscar

Por aqui tá normal, sempre assim

E eu conheço, a chuva vai passar

Pode pá que o tempo vai abrir

Tempestade nói' vamo buscar

Por aqui tá normal, sempre assim

E eu conheço, a chuva vai passar


[Mano Hick: Verso 3]

Favela é sinistra e na madrugada

Filha da puta forja a mulecada

Se eles te vê, nem tenta correr

Tiro nas costa, não paga pra vê

Sistema é oito ou oitenta amigo

Imagina a mente do menino

A ordem é apertar o gatilho

Pretos no carro do ano é bandido

E eles não querem nos ver vencendo

Melhor no beco vendendo

Mano Hick, o terror dos tempos

E ainda tiro os meus do veneno...


[Leal: Verso 4]

Terceiro milênio, querem prêmios, primatas técnológicos

Vejo a paz privatizada com discurso ecológico

Mas gente morrendo só tem na quebrada

E animal vivo só tem no zoológico

Os alma vazia lotando o senado

E a favela cheia com verme com ódio

Como é que pode? Como é que foge sem estudo? Como é que vive?

Se a escola já não tem verba e os amigo só entende de crime

Mundo é sublime e mala de sobra falando muito com pouca bagagem

Mas ser o melhor nunca foi o intuito se é o pior lá pra comunidade

Por isso eu me viro no corre

Com os mano que soma pra sua memória

Com a fita exata que eles registra'

Querendo que a gente não saiba de nada

Eu fiz pelos meus, cultura de rua, não midiática

Eu quero o povo com o melhor, não só com o mínimo e a base!


[Leal: Ponte]

E pra que a mente não dê nó tirem ela da caverna

Nem tudo que reluz é ouro, nem todo nóia é de pedra

Nem toda luz ilumina, ó o giroflex na favela

E se eu esperar pelo governo eu morro na fila de espera

Não forço sentimento, mas também não falo merda

Eu nunca fiz som de momento, minhas obras são eternas

Não pago do que eu não sou, aqui mentira nem tem perna

Eu não vou ser dublê de rico e viver pagando parcela


[LK o Marroquino: Verso 5]

E do memo lado do mapa, bebeno a mema garrafa

Deitando os bico no tapa, duas ruas sujas, cria aqui!

E vão lembrar de mim assim, nunca são, gangueiragem

Mais de mil que tão por mim, nóis por nóis, sem massagem (Ei!)

O baile ferve, nóis tá tipo "nem esquenta!"

Quebrando as viela abaixo de 660

Desce o cometa, sobe o cavalão de Tróia

Prefiro trombar o capeta que quatro porco na nóia

Se jogam móia, aqui passagem, aqui não falta

E a taxa de desemprego explica a violência alta (E veja bem)

Se abaixa jão, não abraça ideia de rato

Meu cartel é cabuloso, nóis chega e toma de assalto (E vai vai vai!)

Vai pula alto, e se incomoda os conivente

Tipo cidadão de bem, mas que nunca olhou pra gente

Me sobra uns pente, a disposição tá tendo

Pra fazer ladrão de terno provar do próprio veneno (E vai provar!)


[LK o Marroquino: Ponte]

Mundo pequeno, igual nossa perspectiva

Desculpa por tanto ódio dentro dessa narrativa (E vai mudar!)

Filho do risco, eu já nasci com alvo nas costas

Eu canto o que cêis não vive, é por isso que cêis não gosta

(Fé!)


[Radha MC: Refrão]

Pode pá que o tempo vai abrir

Tempestade nói' vamo buscar

Por aqui tá normal, sempre assim

E eu conheço, a chuva vai passar

Pode pá que o tempo vai abrir

Tempestade nói' vamo buscar

Por aqui tá normal, sempre assim

E eu conheço, a chuva vai passar