Released on July 13, 2016

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Ei, irmão

Me escute:

Eu não pedi para nascer e aqui estou

Indigesto, incômodo

Dentro de um cômodo

Eu cuspo versos feito um dragão de komodo

E quanto mais sincero eu tento ser mais eu me fodo

Em minhas neuroses eu não tive tempo para relaxar

Incomodei quem mais me amava!

E hoje engulo a seco o gosto amargo do pesar da consciência de saber que o tempo passa

Portas fechadas, de mãos atadas

Em outras quebradas

Perdi o rumo em outras magrudadas

E só quem sabe, sabe

E quem não sabe blefa

Flerta com a noite e se esquece

Do que interessa

Ponteiros aqui correm tão depressa

REFRÃO

Ando sem tempo para pensar em alguém

E hoje lamento se não tá tudo bem

Lembro que eu disse:

"Maloka, seja ágil, que a vida vai passar!"

E era quarta-feira mesmo que me ligaram dando a notícia de que eles estavam certos:

"Aqui se faz, aqui se paga"

E eu que tanto duvidei

Paguei com a carne, com o sangue

Com a gangue

E não me arrependo nunca:

Reescreveria cada palavra

Sobre elas: festas, drogas e mulheres belas

Que durante uma noite entenderam todos os meus problemas

E ao amanhecer discutiram dilemas

E durante o dia viveram as minhas mazelas

Sinto pena por elas

REFRÃO