É um lagarto façanhoso

Coberto de conchas grossas

Escancarado e raivoso

Rabeando pelas poças

Morto às espingardadas

Logo esfolado às lançadas

E o manjámos na merenda

Foi uma festa tremenda

Porque assado no braseiro

Soube a muito bom carneiro

São macacos saguins

Tão custosos de agarrar

Zombam de nós p'los capins

No seu jeito de zombar

Mandam-nos comer cavacos

Fazem gestos os macacos

São de uma carne nojosa

Mais de cheiro e mais tinhosa

De pior sabor e então

De muito má digestão

São caraguenjos dos rios

Carrancudos, agressivos

Arrecuam em bailios

Com a pressa os comemos vivos

Dentro das bocas insossas

Pegam com as suas as nossas

De fora as tenazes dentadas

Em nossos beiços aferradas

Mal trincado o resto eu acho

Vai bulindo papo abaixo

São brutas feras aos brados

Eu não sei quantas nem quando

Se andam por todos os lados

Bafejando, bafejando

Saltam tantas alimárias

Asnos, bichos, bestas várias

Viram-se a nós longas garras

Mostram dentes as bocarras

Umas rosnam delambidas

De peles muito bem vestidas