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[Verso 1: Aliado G, Mano Ed]

O rap aqui é baseado na base de ideia pesada

Mancadas registradas são transformadas em pancadas sonoras

O que temos pra falar a gente fala na tora

Tô pronto pra disparar, a mente está engatilhada

Vamos ver o que é que dá

A polícia civil é paga para proteger o povo

24 horas diárias no plantão da corrupção

Então, o ciclo vicioso nunca vai se quebrar

Polícia prende o ladrão

Telefonema é dado, o advogado é chamado

Aliás, nem poderia ser chamado de advogado

Mais parece um vampiro porta de cadeia

Vergonha da profissão

Seu pagamento é toca fita, droga, tela, vídeo

Eles completam o ciclo

O acerto com a polícia já foi combinado

O mano foi liberado, a artigo era pesado

157, na lei, um crime inafiançável

Mas não é nada que 10 mil reais não possam resolver

Talvez explique a origem daqueles carros zero sem placa

Que os investigadores desfilam na quebrada

Mas, tudo bem, tá valendo

O mano tá na rua, tá na correria

Precisa levantar o dinheiro, tá chegando o dia

O mano volta a exercer sua profissão

Meter o cano é a saída, é a solução

O pagamento da polícia é sagrado

Observo esse ciclo e chegou a conclusão

Que a polícia é o patrão que existe pra garantir o emprego do ladrão

Se liga, mano, muda de trampo

Principalmente você que está desempregado

Não venha pra esse lado

Não venha ser escravo desse ciclo vicioso, odioso

Eu sei que é foda

Eu peço a Deus que ilumine seu caminho

Te ajude a educar aquele seu pivetinho

Longe do crime, longe das drogas

Ensine ao seu filho que ele tem valor

Independente de raça, independente de cor

Não espere por ninguém

A mudança começa a partir de você

Quem planta amor só colhe amor

Quem planta ódio só colhe ódio

Cultive a paz no campo da vida

E com certeza, mano, vamos achar a saída

[Verso 2: Aliado G, Mano Ed]

Aqui em Hortolândia, fonte de renda é escassa

Escassa como água, que falta todo dia

Mas na piscina do Padovani, não, ela nunca está vazia

Crianças passando sede

Ele descansa na rede depois de um belho mergulho

E ainda diz que as crianças são a esperança e o futuro

Escolas por aqui eu não vejo construir

25% do orçamento, na teoria, destinados para educação

Mas no fim desaparece entre as nuvens da corrupção

É domingão e aquele mano vai lá

Adquirir seu exemplar do Correio Popular

Precisa ler os classificados, faz um tempo que tá parado

Precisando trampar, com três pivetes pra criar

Não consegue se encaixar

Abre o jornal pra ler

Não há vaga, o que fazer?

O aluguel tá pra vencer

Foi despejado, não pode ser

O direito de morar é sagrado

Cadê as casas populares prometidas na campanha?

Ir pra favela foi a solução

Não que morar em barraco seja vergonha, não

Vergonhosa mesmo é a pirâmide social

10% com a riqueza, 40% na pobreza, 50% na miséria

A elite critica o rap nacional, música de marginal

Que incita a violência, mas essa ideia é errada

Com o rap ou sem o rap, vai existir violência

Enquanto não houver decência na política

Talvez um pouco de autocrítica ajudasse

O nível de corrupção é extremamente elevado

A começar pelos vereadores

Trampa uma hora por semana e quase mais de três mil

Direito a três assessores numa cidade como Hortolândia é uma vergonha

Agora eleva essa merda a nível estadual

Se for pensar a nível federal é uma loucura

E toda essa violência aceita com veemência

E ainda são chamados por pronomes exagerados, como nobre excelência

Fica perdida a pergunta: quem gera violência?

[Verso 3: Aliado G, Mano Ed]

A sociedade tem a imagem distorcida da verdade

Valores discutíveis

Vivemos num capitalismo totalmente selvagem

Se mede um homem pelo bolso

E não pela sinceridade, caráter

E não é só nos grandes centros

Veja o caso do MST na luta pela terra

Quantos ainda vão morrer, eu não sei

Deus fez o homem e deu a honra pra ele

O demônio fez o dinheiro e a cobiça pra foder com ele

Casamentos são desfeitos por falta de grana

Se o mano está de gravata, ele é respeitado

Se usa uma calça larga, ele vai ser zoado

Se trombar com a polícia, com certeza, é enquadrado

Quem curte o nosso movimento é sempre discriminado

Taxado como marginal padrão

Eu pergunto por que a polícia não embaça

Com os caras que usam terno e gravata e roubam toda a nação

Infelizmente esse é o nosso país, o tetracampeão

A alegria da elite é ver o pobre matando pobre

Se drogando, enchendo a cara

Agindo dessa forma fica fácil pra eles manipularem nossa classe

Se utilizam da mídia pra foder com você

É hora de rezar, trabalhar, estudar pra melhorar

Informação é a chave de tudo, passem isso aos irmãos

Vamos pensar no futuro

Vamos reforçar o verde da nossa esperança

Construir um Brasil cada vez mais belo

Cada vez mais branco, azul e amarelo