Released on July 2, 2017

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[Letra de "O Rap é Preto" por Fabio Brazza & Rashid]


[Verso 1: Fábio Brazza]

O Rap é preto, eu sei meu mero lugar

Já que eu sou branco, me deixa no banco, espero pra jogar

Mas se me botar em campo

Eu não passo em branco, altero o placar

O time dos bico desbanco e viro titular

Não quero me gabar, mas sou o branco mais faixa preta

Quer saber por que a rapa me acha treta?

Presta atenção em cada faixa e letra

Mesmo eu não vindo do gueto

Quando eu pego a caneta

Não tô pela grana preta, mas tô pelo povo preto

Em prol da igualdade

Também quero a evolução da sociedade, sem vaidade

Pretos no topo, mulheres na frente da tropa

Precisamos de representatividade mais do que de outra Copa

Hexa, Hepta, Octa

E quatorze milhões de analfabetos

Pra mostrar onde nosso enfoque tá

Sociedade hipócrita, opta

Por apoiar um ladrão no poder

E não entender que isso é um golpe, tá?

Hip-Hop tá de volta na mesma revolta

No beat pesado e ligado nos ideais

Uns tão pelo novo, outros pelo povo, outros pelo em ovo

Falando merda pra se aparecer pelas redes sociais

Essa galera que fala demais e não faz pelo outro

Enquanto uns brigam pelas redes

Outros não têm nem rede de esgoto

Mas pera um pouco

Se é bola na rede, ninguém mais reclama da rede de corrupção

E aumenta a inflação e a população que se fode de novo

Salário é mixaria, se aposentar é utopia

Mas chegar na velhice já é lucro pra quem vive na periferia

Eu preferia tomar um sete a um todo dia

Do que ver esses cento e setenta e um roubando nossa aposentadoria

Amo futebol, mas futebol não paga conta

E o nosso time tá levando lavada e tomando gol contra

Muitos metem mala e flow

Brazza e Rashid é só gol de letra

Pique Ronaldinho, especialista na caneta!


[Verso 2: Rashid]

Meu papo é reto igual meu procedê

Pro cê vê, a mágica de conceber

Poesia que lembra a história preta ao suceder

E cê nem lembra a última vez que cê comprou CD

Novos tempos, novos templos

Somos exceções antes de exemplos

Capiche? Eu num mato MC’s, eu prefiro inspirá-los

Como o punho cerrado de Tommie Smith e John Carlos

Pobre, preto, pardo

Brasil com P tipo G.O.G, filho bastardo, vê?

Num tardo em ser petardo, muita treta

Pra ser na rua o que os cara tenta ser nas letra (aê)

Referência num é cópia

E quem num respeita a história alheia

Acaba borrando a sua própria

Desentope a mente

Antes que isso vire um jogo de serpente

Tipo o do celular da Nokia

Daqui a Tokyo, seu sonho? Toque-o

Dinheiro? Ópio, mas quero, óbvio

Nesse ar impróprio, respiro sóbrio

Pensando: Não deixe que ego dope-o

Passando conhecimento tipo Adinkra

Usando a tinta

Podia só falar sobre eu em todo canto onde ponho a voz

Mas prefiro botar meu eu numa soma onde dê nós