Released on November 2014

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[Intro]

Estraca


[Verso 1]

Maria da Assunção Ramos, Lisboa 31 anos

Encontrou o homem perfeito e juntos fizeram planos

Casamos e ultrapassamos, lutamos e conquistamos

Ontem cega no amor e hoje presa nos enganos

Há 5 anos casada, trabalha como empregada

O marido virou monstro na linda história encantada

Mulher aterrorizada, violada, escravizada

Onde o beijo de bom dia do nada virou pancada

Na cama não tem prazer mas passa obrigada a ter

Com medo a temer, se entrega só para o satisfazer

Sozinha vive a sofrer, sempre tentado esconder

Vai vivendo no silêncio, sem coragem para dizer

"Chega", sempre pensava, coragem não encontrava

Esperança depositava que aquilo um dia passava

Mas ali nada mudava, violência continuava

Mais xutos e pontapés porque o jantar não prestava


[Refrão]

Alma ai! Minha alma

Diz-me quem eu sou

Alma ai! Minha alma

Diz-me para onde vou


[Verso 2]

Marido no sofá sentado, Porto e Benfica empatado

No final o resultado, a mulher com olho inchado

Nas costas cinto marcado e negras por todo o lado

Ela grita, ela chora e no espelho vê o seu estado

Um dia o braço partiu, com tanto que ele agrediu

E ao ser interrogada com medo diz que caiu

Obrigada, ela mentiu, "tudo bem" ela fingiu

Na rua mostra o sorriso de sentimento vazio

Mulher nem fala só chora, seu coração colabora

Com a dor que está la dentro avistada cá por fora

E só de pancada, agora pensa que ninguém lhe adora

Vai sofrendo dia a dia, esperando que chegue a hora

Homem fraco e nojento, fala em arrependimento

Mas as coisas só pioram com todo o passar do tempo

O teu mundo está cinzento, o teu choro é argumento

Nunca morras de silêncio fruto desse sofrimento


[Refrão]

Alma ai! Minha alma

Diz-me quem eu sou

Alma ai! Minha alma

Diz-me para onde vou


[Outro]

Quando saio de ao pé de mim, eu sou mar

De outras terras, de outras gentes que não vi

O meu canto é o meu sonho

Não morreu, meu amor

Meu amor eu sou povo

Sou mais longe do que eu