Pongo pygmaeus

By E.se

On Serotonina

Released on March 10, 2021

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[Verso 1]

Na selva conjunta a seiva que é bruta

Carrego-a de cima para baixo

No meu cérebro processo

O progresso acontece

Quando o meu corpo age

O rito confesso o mito esclareço

É que no meu peito há mais

Humanidades que Cristo

Verdades que vivo de versos imortais

E a diferença

É que ignoro a sentença

Ignóbil na tua presença

Enriqueço a cabeceira acesa

O livro à beira da mesa

A tinta escorre ainda fresca

Desliza da minha cabeça

A fonte no monte, a fronte defronte

Com rugas de pedra a clarear

Ilumina na noite

Pernoito com um oito deitado nas estrelas a cintilar

Cadente cá dentro ascendente

O trajecto traçado por fado a conquistar

Nesta jungle do bando

O orango sabe que o melhor a fazer é isolar

97 por cento idêntico

Mendigo o bendito três que me fez mais

Descolar da espécie de gente

Que circula hibernada encostada a murais digitais

Que só concorda, dá corda à moda

Em roda és broda pelas vivências sociais

E evapora na hora, bloqueia e ignora

Se puxas as crenças individuais


[Refrão]

Floresce, floresce, floresce no escuro floresce

No escuro, atrás do muro, seguro floresce

Floresce, floresce

No escuro floresce


[Verso 2]

Na floresta deserta tu não traças a festa

Vistas grossas na meta

Pisam possas na pressa

Viram costas nas frestas

Põe crosses nas backs

Mas dão toques nos egos

São só vozes sem eco

E por isso o orango sobe a copa então

Não precisa do teu sangue, ele quer solidão

Enquanto escondes no teu gang para ter vocação

Ele afasta essas moscas não é diversão

Não é loucura é a cura para uma geração

Que se move em bando sem chance de outra direcção

Sou Zé Mário Branco sonho alto com inquietação

Que me atribula mas acorda da computação

Não desespero, impero, sem saber o que quero

Procuro sempre sem encontrar

Inquietação no meu peito

É o batuque que aceito, o estuque que empreito

Para me fortificar

Que belo o templo, que belo o tempo

Que vejo a passar

Quando me aceito a mim, me vejo a mim

Sem filtros a tapar

Fecho-me em copas e toco as notas

Que são só as prosas deste o meu engenho

Vou noutras rotas, vão gastas as botas

Eles saem das tocas, seguem o meu plano

Trocas-me as voltas e não são derrotas

Derrubo a chacota e cai esse pano

Na floresta fora o orango lá mora

No centro sozinho a viver sem receio


[Outro]

Floresce, floresce, floresce no escuro floresce