Casulo

By E.se

On Serotonina

Released on July 14, 2020

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[Verso 1]

Era lume para a lareira eu procurava

Essa chama não ardia e eu roubava

Essa falha era um vazio que eu ocupava

Se a este ego faltava eu insuflava

E a esse vento que eu sorria e vinha sempre de fora

Até ajudava a flutuar, mas não soprava a toda a hora

Empurrava-me para longe da essência desta obra

Se se afastava esse calor o que agasalhava agora?

Na inocência pensava viver tranquilo e sereno

Só olhava para fora não olhava para dentro

O feedback que me davam chegava para sustento

Não saía do casulo bailava só nesse vento


[Bridge]

Mas marés de outros marinheiros não fazem não

Galés em que empurro sem remo e sem convicção


[Verso 2]

Não contava com esse remo

Fugi sempre desse leme

O meu ego que me algeme

Bebo de outro então

Quem não conhece nunca teme

Não sabe como a alma treme

Não fala com esse demo

Não passa cartão

Vive ingénuo tu aprende isso

O K Dot dizia "ignorance is bliss"

Pensar só transforma o sorriso em sumisso

Se vêm dores com os dentes para quê esse ciso?

Argumentas que é preciso esse ciso que te cai bem

Não assenta o inseguro que leva a vida de quem vai e vem

A carga vai vazia sem destino nesse vaivém

Vais por aquele caminho de quem não sabe ser homem


[Bridge]

Então deixa seguir essa carga sem direcção...

Não quero destino sem curva ou sem convulsão


[Refrão]

Então faz por ti, não vivas por nós

Desprende de mim, desata esses nós

Sê como o Sado e corre para a foz

Errado em sentido e correndo a sós

Errado em sentido a correr para a foz

Sê como o Sado e corre a sós

Desprende de mim e desata esses nós


[Verso 3]

Mas não foi assim tão rápido

Aperceber-me do veneno

E despir esse hábito

E tornar-me o epicentro

Cismar em mim próprio

Tudo tem o seu tempo

Não querer o imediato

É mais lento cá dentro

(mais lento cá dentro)

Será que me deixas não ir para a estante?

Prefiro essa Metarmorfose Ambulante

Eu sou Raul Seixas não quero ser estanque

Não me ponhas nessa estante

Para mim não tem encanto

Eu destapo o meu manto

Para te mostrar mais

Dá-me a ferida que eu estanco

Só preciso de um instante

Se a diferença for gritante

Faz-nos mais reais

Dieta era feita à base desse reforço

De agradar aos outros vivia o meu esforço

Até que não chegou água a esse poço

E a minha estrutura virou calabouço

Dos escombros do destrouço fiz um troço pobre em sinais

Louco vou aos tomos ziguezago sem marginais

De fora ouço o zombo desse combo de profissionais

Ignoro, sou Colombo em trajectos dimensionais


[Bridge]

Então segue por essa estrada sem direcção...

Perdido sorrindo ao caminho com convicção


[Refrão]

Então faz por ti, não vivas por nós

Desprende de mim, desata esses nós

Sê como o Sado e corre para a foz

Errado em sentido e correndo a sós

Errado em sentido a correr para a foz

Sê como o Sado e corre a sós

Desprende de mim e desata esses nós

Desata esses nós

Desata esse nós

Desprende de mim e desata esses nós

Sê como o Sado e corre a sós

Errado em sentido e a correr para a foz

Desata esses nós

Desata esse nós...