Released on August 21, 2013

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[Letra de "Trepadeira" ft. Wilson das Neves]


[Intro]

Ô Rafa, pega aquele violão lá

Isso, isso memo, assim que é

Ae Café, ae Julio César

Chega naquela percussão, daquele jeitinho memo, certo?

Que eu vou contar aquela história pra vocês

Seu Wilson, vem no groove, vem no groove


[Verso 1: Emicida]

Margarida era rosa, bela

Cheirosa e grampola, tipo casa das camélia

Gostosa, bromélia, toda prosa

A me enlouquecer, bela tipo um ipê, frondosa

É um lírio, causa delírios, mire-a

Vício é vigiar, chique como orquídea (aah)

Cabelos como samambaia e xaxim, flô

Perto dela, as outras são capim, pô

Girassol, Violeta, beleza violenta

Passou aqui como se o mundo gritasse "arrasa bi!"

Flor de laranjeira ou primavera inteira

São fores e mais flores, todas as cores da feira, irmão

(Ô... essa nega é trepadeira, hein)

Minha tulipa?

A fama dela na favela enquanto eu dava uma ripa

Tru, azeda o caruru

E os manos me falava que essa mina dava mais do que chuchu

(Eita nóis, aí é problema, hein? Cê é loco)


[Refrão: Wilson das Neves]

Você era o cravo, ela era a rosa

E cá entre nós: gatinha

Quem não fica bravo dando sol e água

E vendo brotar erva daninha?

Chamei de banquete, era fim de feira

Estendi tapete, mas ela é rueira

Dei todo amor, tratei como flor

Mas, no fim, era uma trepadeira


[Interlúdio: Emicida]

Mamãe olhou e me disse:

"Isso ai é igual trevo de 3 folha

Quer comer, come... mas não dá sorte"

Vai, brinca com a sorte


[Verso 2: Emicida]

Bem me quer, mal me quer

Ó, nosso amor perfeito amargou

Tipo um jiló, Maria sem vergonha

Eu, burro, chamei de trevo de 4 folha

E o love enraizou, fundo

Mas você não dá

Ou melhor: dá, mas pra tudo mundo

Eu quis te ver no jasmim, firmeza

No altar, preza, branquinho

Olha, magnólia, beleza

Vitória-régia, brincos de princesa

Azaleia pura, Madre Teresa

Mas não, cê me quis salgueiro chorão

Costela de Adão, raspou os cabelo de Sansão

E tu vem, meu coração parte

E grita assim: "Arrasa bis-cate!"

Merece era uma surra de espada de São Jorge (É!)

Um chá de "comigo ninguém pode"

(É, eu vou botar seu nome na macumba, viu?

Se segura)


[Refrão: Wilson das Neves]

Você era o cravo, ela era a rosa

E cá entre nós: gatinha

Quem não fica bravo dando sol e água

E vendo brotar erva daninha?

Chamei de banquete, era fim de feira

Estendi tapete, mas ela é rueira

Dei todo amor, tratei como flor

Mas, no fim, era uma trepadeira

[Saída: Emicida e Wilson das Neves]

— Tás vendo aí, parceiro?

— O quê?

— Fui dar assunto, aí, virou bagunça

— Hahahahaha

— Me esculachou, ô sorte

— Ihhhhh, que sorte, hein?

— Também agora sai fora, xô xô

— Vai embora, pó' descer a ladeira

— Xô, xô

— Sai, sai, sai andando... não merecia nem esse rap

Ficar gastando tinta com isso aí? Tá loco!

— Mas que era bom, era

— É verdade

(Risadas)

[Outro: Emicida, Elisa Lucinda, Ambos]

Vou tirar onda

Peguei no rabo da palavra e fui com ela

Peguei na cauda da estrela dela

A palavra abre portas, cê tem noção?

É por isso que educação, você sabe: é a palavra-chave

É como um homem nu todo vestido por dentro

É como um soldado da paz, armado de pensamentos

É como uma saída, um portal, um instrumento

No tapete da palavra chego rápido

Falado, proferido, na velocidade do vento

Escute meus argumentos

São palavras de ouro, mas são palavras de rua

Fique atento!

Tendo um cabelo tão bom, cheio de cacho em movimento

Cheio de armação, emaranhado, crespura e bom comportamento

Grito bem alto, sim: qual foi o idiota que concluiu que meu cabelo é ruim?

Qual foi o otário equivocado que decidiu estar errado o meu cabelo enrolado?

Ruim pra quê?, ruim pra quem?

Infeliz do povo que não sabe de onde vem

Pequeno é o povo que não se ama

O povo que tem na grandeza da mistura:

O preto, o índio, o branco

A farra das culturas

Pobre do povo que sem estrutura

Acaba crendo na loucura de ter que ser outro pra ser alguém

Não vem que não tem

Com a palavra eu bato, não apanho

Escuta essa, neném: sou milionário do sonho