Principia

By Emicida

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Released on October 30, 2019

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[Letra de "Principia" ft. Fabiana Cozza, Pastor Henrique Vieira & Pastoras do Rosário]


[Intro: Pastoras do Rosário]

Lá-ia, lá-ia, lá, ia

Lá-ia, lá-ia, lá, ia

Lá-ia, lá-ia, lá, ia

Lá-ia, lá-ia, lá, ia


[Verso 1: Emicida]

O cheiro doce da arruda, penso em Buda calmo

Tenso, busco uma ajuda, às vezes me vem o Salmo

Tira a visão que iluda, é tipo um oftalmo

E eu, que vejo além de um palmo, por mim, tu, Ubuntu, algo almo

Se for pra crer num terreno, só no que nós tá vendo memo'

Resumo do plano é baixo, pequeno e mundano, sujo, inferno e veneno

Frio, inverno e sereno, repressão e regressão

É um luxo ter calma e a vida escalda, tento ler almas pra além de pressão

Nações em declive na mão desse Barrabás, onde o milagre jaz

Só prova a urgência de livros perante o estrago que um sábio faz

Imersos em dívidas ávidas, sem noção do que são dádivas

Num tempo onde a única que ainda corre livre aqui são nossas lágrimas

E eu voltei pra matar tipo infarto, depois fazer renascer, estilo parto

Eu me refaço, farto, descarto, de pé no chão, homem comum

Se a bênção vem a mim, reparto, invado cela, sala, quarto

Rodei o globo, hoje tô certo de que todo mundo é um

[Refrão: Emicida com Pastoras do Rosário]

E tudo, tudo, tudo, tudo que nós tem é nós

Tudo, tudo, tudo que nós tem é

Tudo, tudo, tudo que nós tem é nós

Tudo, tudo, tudo que nós tem é

Tudo, tudo, tudo, tudo que nós tem é nós

Tudo, tudo, tudo que nós tem é

Tudo, tudo, tudo que nós tem é nós

Tudo, tudo, tudo que nós tem é


[Ponte: Emicida]

Cale o cansaço, refaça o laço

Ofereça um abraço quente

A música é só uma semente

Um sorriso ainda é a única língua que todos entende

Cale o cansaço, refaça o laço

Ofereça um abraço quente

A música é só uma semente

Um sorriso ainda é a única língua que todos entende

(Tio, gente é pra ser gentil)

[Verso 2: Emicida & Fabiana Cozza]

Tipo um girassol, meu olho busca o sol

Mano, crer que o ódio é solução, é ser sommelier de anzol

Barco à deriva sem farol, nem sinal de aurora boreal

Minha voz corta a noite igual um rouxinol, no foco de pôr o amor no hall

Tudo que bate é tambor, todo tambor vem de lá

Se o coração é o senhor, tudo é África

Pôs em prática, essa tática, matemática, falou?

Enquanto a terra não for livre, eu também não sou

Enquanto ancestral de quem tá por vir, eu vou

E cantar com as menina enquanto germino o amor

É empírico, meio onírico, meio Kiriku, meu espírito

Quer que eu tire de tu a dor

É mil volts a descarga de tanta luta, adaga que rasga com força bruta

Deus, por que a vida é tão amarga? Na terra que é casa da cana-de-açúcar

E essa sobrecarga frustra o gueto, embarga e assusta ser suspeito

Recarga que pus, é que igual a Jesus, no caminho da luz, todo mundo é preto, ame, pois...

S'embora que o tempo é rei, vive agora, não há depois

Ser templo da paz, como um cais que vigora nos maus lençóis

É um-dois, um-dois, longe do playboy, como monge sois, fonte como sóis

No front sem bois, forte como nós, lembra a "Rua é Nóiz"

[Refrão: Emicida & Pastoras do Rosário]

Tudo, tudo, tudo que nós tem é nós

(Tudo, tudo, tudo, tudo que nós tem é nós)

Tudo, tudo, absolutamente tudo

(Tudo, tudo, tudo que nós tem é nós)

Tudo que nós tem é isso: uns aos outros

(Tudo, tudo, tudo, tudo que nós tem é nós)

Tudo o que nós tem é uns aos outros, tudo

(Tudo, tudo, tudo, tudo que nós tem é nós)


[Saída: Pastor Henrique Vieira]

Vejo a vida passar num instante

Será tempo o bastante que tenho pra viver?

Não sei, não posso saber

Quem segura o dia de amanhã na mão?

Não há quem possa acrescentar um milímetro a cada estação

Então, será tudo em vão? Banal? Sem razão?

Seria... Sim, seria, se não fosse o amor

O amor cuida com carinho, respira o outro, cria o elo

O vínculo de todas as cores, dizem que o amor é amarelo

É certo na incerteza, socorro no meio da correnteza

Tão simples como um grão de areia, confunde os poderosos a cada momento

Amor é decisão, atitude, muito mais que sentimento

Alento, fogueira, amanhecer, o amor perdoa o imperdoável

Resgata a dignidade do ser

É espiritual, tão carnal quanto angelical

Não tá no dogma ou preso numa religião

É tão antigo quanto a eternidade

Amor é espiritualidade

Latente, potente, preto, poesia

Um ombro na noite quieta, um colo pra começar o dia

Filho, abrace sua mãe, pai, perdoe seu filho

Paz é reparação, fruto de paz

Paz não se constrói com tiro

Mas eu miro, de frente, a minha fragilidade

Eu não tenho a bolha da proteção

Queria eu guardar tudo que amo

No castelo da minha imaginação

Mas eu vejo a vida passar num instante

Será tempo o bastante que tenho pra viver?

Eu não sei, eu não posso saber

Mas enquanto houver amor, eu mudarei o curso da vida

Farei um altar pra comunhão

Nele, eu serei um com o mundo até ver

O Ubuntu da emancipação

Porque eu descobri o segredo que me faz humano

Já não está mais perdido o elo

O amor é o segredo de tudo

E eu pinto tudo em amarelo