Released on May 23, 2013

5K Views

Thumbnail

[Letra de "Crisântemo" ft. Dona Jacira]


[Verso 1: Emicida]

Ele bebeu, bebeu, tipo vencedor

E depois riu, riu, como Bira do Jô

Cumprimentô todo mundo à la vereador

E subiu o morro estilo viatura

Ele nos deu, nos deu toda a fé de um pastor

Depois sumiu, sumiu deixando só a dor

Ignorou o aviso devagar com o andor

E flertou por sobre a vida dura

Trafegou aéreo, dançou sério, pala

Serpente rasteja, credo, pobre mestre sala

Cigarro no bolso, barro, Für Elise embala

No solo onde impera, qualquer bonde é vala

Toma outro drink, se é o que lhe resta

Toma outro drink, a vida é uma festa

Viaja Amyr Klink, faz eterna sua sesta vai

Nem deu tempo pra dizer, bye bye


[Refrão: Emicida]

A vida é só um detalhe

A vida é só um detalhe

A vida é só um detalhe

A vida é só um detalhe

É tudo, é nada, é um jogo que mata

É uma cilada

A vida é só um detalhe

A vida é só um detalhe


[Verso 2: Emicida]

Padeceu, desceu, como na seca, flor

E nóiz seguiu, seguiu juntando o que restou

Uns retrato, disco foi morar de favor

Bem quando vi que o mundo é sem Calma

Aconteceu, teceu como Deus desenhou

No que surtiu, surgiu um peito sofredor

Era rato, bicho, mofo, fedor

Mais saudade, que é sentir fome com a alma

E na ceia migalhas, no júri mil gralhas

Não jure, quem jura mente, pra sempre, fé falha

Vida, morte, números, de neguinho

Aqui é cada um com a sua coroa de espinhos

Qual a sua droga? Tv, erva? hãn?

Qual a sua droga? Solidão, cerva?

Onde você se esconde? Onde se eleva ein?

O que é seu, em terra de ninguém?


[Refrão]

A vida é só um detalhe

A vida é só um detalhe

A vida é só um detalhe

A vida é só um detalhe

É tudo, é nada, é um jogo que mata

É uma cilada

A vida é só um detalhe

A vida é só um detalhe


[Saída: Dona Jacira]

Era dia de Cosme, madrugada, chovia lá fora

De repente alguém chama, Jacira, sou eu, Luiz

Pressenti, Miguel morreu, o que mais poderia ser?

Além do mais, meu coração já estava apertado

Prevendo desgraça, na festa do terreiro, a certa hora

O Erê subiu e quem desceu foi seu Sultão da Mata

Me chamou disse: Pegue os meninos, vá pra casa

Disse: Prepare o coração e seja forte, vá!

Levantei, abri a porta e a desgraça se confirmou

Uma briga, o tombo, o seu Zé do Doce socorreu

Seu Zé é a representação do Estado no Jardim Fontális

Talvez ainda até hoje

Notícia pra dar, vaquinha pra enterrar, domingo

Justo eu, que me criei sem pai, perder o pai já é uma tragédia

Perdê-lo na infância é sentir saudade

Não do que viveu, mas do que poderia ter vivido

O enterro, a volta, o olhar do menino marejando

Pensando longe, sem entender

E o meu coração apertado, sem conseguir explicar

O tempo foi encaixando tudo

Os pertences dele sempre no mesmo lugar

O velho chinelo abandonado respondem, ele não vai voltar

Os dias são escuros mesmo com sol quente

O silêncio de Miguelzinho cala cada vez mais fundo no peito da gente

Quando o pai morre, a gente perde a mãe também

Eu já sabia o que era isso

Como pode alguém morrer no mesmo dia que nasceu?