Freestyle

By Each1

On Limites

Released on January 28, 2021

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[Letra de “Freestyle”]


[Verso 1]

Entrei no beat sem motivo, é só que o sono não me bate

E eu deitado a pensar que nada cai do céu

A quem espera sentado, aguardo mais um dia

Em que não faço um chavo

Sozinho no quarto, excepto o isqueiro e o tabaco

Já que na verdade 'tou menos sóbrio

Agora que já não sou drogado

De facto faz um ano que já não faço um charro

Bateu-me a saudade

Não há ganza mas há Jack na sala, 'tá p'ra ser usado

E claro que com a cabeça às volta eu me sinto menos quadrado

Mas mais na realidade, agora que imagino o quadro

Quanto mais parvo fico pro mundo, mais eu me sinto enquadrado

Digo coisas sem sеntido, já tou pronto p'a ser escutado

Sinto-me num filmе em Espanha porque já vejo tudo dobrado

Amanhã entro cedo e hoje é tarde, que se foda em parte

Ao menos já tou com a farda p'a aguentar com o fardo

E uma desculpa fixe p'ra achar que o que eu faço tem significado:

"Sara desculpa o meu atraso, tive a fazer arte."

Não vou ficar à parte, vou pregar-te um beijo

Dizer-te o quanto és linda sem te fazer justiça

A menos que eu gagueje

Enquanto penso na Jessica

Sem assento no 'é'

Seria a única coisa aguda aqui

Mas como não tem, não é

Tem calma mor

Se me ouvires que se foda 'quê que nos resta?

Cagaste em tudo o que eu te disse das outras vezes

É só mais esta

Atesta mais um copo

'Tou em festa comigo próprio, resta meia garrafa

Desta vez não fico sóbrio porque vou curtir!

Qualquer verso me parece comigo

Sinto-me um verdadeiro rapper, incapaz de seguir um tópico

Sou eu e eu e eu tamos os três aqui no pódio

A fazer piças a vocês que dizem "fuck you"

Como se fock you ofendesse mas isso nem insulta

Só resulta em mais vontade de vos bater na nuca

Nunca entrei nessa disputa chunga em suma

Assumo o rap do Porto e não o tuga

Mantenho a atitude enquanto a vossa muda

Anos 90 não é a vossa praia

Mas se o rap o fosse, eu tava aqui de sunga

A fazer só o que me apetece, 'tou-me a cagar po que tu julgas

Eu não sigo correntes bro, eu cuspo o mar onde te afundas

Mato quem acha que isto é canja

Manja um gajo a fazer ondas pa te deixar na prancha

Que se fodam mixas

O rap parece o Porto, só turistas

Nem nas padarias se vêm tantas bichas

Como o Virtus diz: "É só artistas"

Duas dicas depois não te aguentas

Bro eu mato pistas, tu matas a pica

Em tudo o que tu entras

AMR a bombar na puta da tua zona

Queres ter vida p'a nós? 'Tão come a sopa

Basta um vipe do Syze vai logo a cidade toda

És tão pequeno que nem à frente do Sol nos fazes sombra

Aqui o que conta é a intenção e a minha crew é foda

Se pa ti o que conta é a entoação a tua que se foda

Eu sei que tou com a moral, mas entende o azedume

É que por mais que esprema rappers só sai sangue

Nunca sumo

Queres sair do sítio só que não tens como

Então no fundo

Quando te mando à merda é p'ra te dar um rumo

Vai com tudo

Chavalas ao lado p'a mostrar que são uns homens

Depois fazem sons de amor mas só as comem

Esses dramas não comovem

Fazem sons pa pista, nem o meu cú movem

Estas merdas só vos batem porque vocês não absorvem!

Não importa o que consomem

Vim só causar desordem, conto poetas pelos dedos

Talvez sobrem, ninguém anda p'a frente

O que é que há p'a correr mal se vocês nem correm?

'Tou fora do tempo, o vosso amanhã pra mim foi ontem

Ah pois é, não me chegam aos calcanhares nem que se esforcem

Nem se puxarem pela cabeça vocês podem chegar-me ao pé

Então desendem, digo de forma franca

Que nem que me pare o relógio, isso vos adianta

Sou como um projéctil no vácuo, nunca mais abranda

A tua laia sem pernas p'a andar e nem assim se manca

Sala cheia de gente burra para ouvir quem canta

É que essa merda é tão chunga que nem sequer os maus espanta

É som p'a anca? 'Tou fora desse lambda

Escrevo tantas rimas que guardo os blocos na varanda

Então achantra, já te pus os pés na campa

Se recebesse em proporção do que eu faço

Era pior que o BES p'a banca

O rap tuga é uma merda

Eu digo-te: "Anda"

Ao ritmo que te enterras, não tarda tu tas no under

Sa foda o peso do meu nome, bro fora de tanga

Dobrava outdoors se um dia me fizessem propaganda

O estilo é venenoso, até se arrasta como cobras

Moço até um trolha rasca embelezava as tuas obras

Nem em sonhos me tocavas com palavras

Vê se acordas

Tenho dicas tão pesadas que engordavas só com as sobras


[Verso 2]

Sentido inverso ao de que não sabe ser honesto com um gajo

Não deixo de andar pro lado certo porque o resto não vai

Enquanto acendo mais um prego e coordeno o banzai

Só pa dar com os pés a esses chonés como se fizesse muay thai

Antecipo o pessoal a fazer frete, eu acerto e não falho

São muitos anos a rachar pedra e o prédio não cai

Noutro Universo a realidade parece sci-fi

Certo que ninguém chega ao meu tecto quando trepo o andaime

É que plataformas de rap só falam de rappers com hype

E falham naquilo que lhes compete

Como esses dreads no mic, até criticam quem é wack

Em concreto o que eu acho

É que quando sai um ganda som p'a net

Ninguém o mete no site

Que se foda quem diz que isto é fat e não percebe um caralho

Mas esse pessoal já nos conhece e reconhece o trabalho

Fechem os olhos ao Porto que adianta um grosso

Cada vez que pico o ponto, 'tou a fazer ver os cegos com o braile


[Interlúdio]

Uhhh, bem

Se calhar eu devia explicar esta dica

E é assim, epáh

Basicamente, o Porto é uma cidade que está a 300km acima de Lisboa, só isso


[Verso 3]

Entre a espada e a parede na ponta certa

Moço agora espeta o pescoço em vez da meta

Eu nunca vou fazer um rap merdoso pa andar na berra

Isto é real, alías, se um gajo não fosse, ninguém o era

É esse o foco bixo, dá pa ver logo que eu não suporto lixo

Se fodes isto, muito boa sorte e um bico no cóccix

Tá fora de hipótese nós sermos próximos

Se proxys são um meio de transporte, os nossos são ovnis

Aqui não conta se a tua peça tem batido

O que me assombra é saber se o que a gente prega faz sentido

Outra coisa nada contra quem se entrega só pelo guito

Olha eu tou mixo e fico mais na merda sempre que faço um disco

Reconheço neste momento que nesse nível não vingo

O meu interesse é ser coeso o resto vê-se no fim

O que penso é muito intenso pa que me perdesse no limbo

É que eu pertenço a um mundo denso

Que não tem um preço pra mim

Excepto a minha crew e três ou quatro

Não coexistimos no plano, quanto mais na profundidade

Na verdade, prefiro andar num mundo à parte

Este é mais cansativo do que atravessar o Douro a nado

Sou de frases e acutilante como Umberto Eco

Tu és chato e irritante como um beto cego

Sem ofensa, não ando a treinar com mecos

Vou dormir, até logo

Sexto Sentido, AMR