Facada Eleitoral 2

By DoisT

Released on July 17, 2021

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[Letra de "Facada Eleitoral" com DoisT, Febem, GOG, Lord ADL e Rodrigo Ogi]


[Verso 1: DoisT]

E o crescimento que 'tá tendo é só bancário

E os MC' disputando a guerra de likes

Eu viso[?] que tem os anti-Adidas e tem os anti-Nike

Eu aprendi a ser foi anti-alemão no mic

Com a fé do Brown no coração

Enquanto os empresário' e os político' não ligam pro Covid

Vacinando a família e quem eles tem por perto

Por isso que agora eles dizem que é só uma gripe

Quer ser bandido e viver livre?

Se tu tirar plantão e for pra boca, vai ser preso, entrar na bala

Se for político, vai ter mansão em Angra

E, no máximo, você vai ficar preso den'de casa

Vingança é droga que vicia e dá prazer

Despertador no gueto é acordar com a bomba-relógio

Bala perdida ou na mão da polícia

Ou, então, vão te matar te entupindo de agrotóxico

150 de auxílio, funcionário'-fantasmas

E a pobreza vem ganhando mais destaque

E se tirasse o seu auxílio-paletó e transformasse isso em mais bolsas de faculdade?

O diabo é sujo, mas a mente humana é mais

Troféu, pros empresários, é ver nossa classe no poço

Mansões valem milhões, enganaram nosso povo

E a próxima facada é candidato lá do morro


[Verso 2: Febem]

Ouviram do Ipiranga, margem plácida

Legal seria se toda teoria fosse prática

Abracadabra, plim-plim, num passe de mágica

Desde criança, sumo quando vejo a Força Tática

Sim, sim, de porque porque 'tamo' aqui

Serve como resposta porque nós é isso aí

Se foi dada a condição de sucumbir

Descobri que quem vem de onde nós vem combina mais com emergir

(Ruf, ruf)

E a caravana passou

Hoje eu entendo que rimar é o mais fácil

Se for bem legal, ali em cima nem rimou

Volte todas as casas se não entende o professor

Há 31 tocando o rolo compressor

Pavimentando a pista que vários acelerou

É o terror, é o terror

Visão sempre teve aí

Quem pegou, pegou


[Ponte: GOG]

O time chegou, o time formou

DoisT, Febem, Ogi, Lord ADL, GOG

Peso pesado, vamo


[Verso 3: GOG]

O rap revoluciona o bolso do empresário

Ele vende bem a frase "alma de artista"

A lírica vira fila falando de amor

A letra é treta, mofa na gaveta do letrista

Faça o teste da humildade, mande um áudio, uma mensagem

Visualiza, não responde, o compromisso é viagem

Vão me acusar de mimimi, dedo na cara para dividir

Virou moda criticar, desvalorizar a dor que nunca sentiu

Mercado engana, mais que o Huck lá no quadro Lata-Velha

Não adianta maquiar, realidade atropela

Rato desumano xingou e o escambau

Família do racista alegou problema mental

Na Lua cheia, os ratos cinza' rastreia

Os gato são pardos, de farda, traz fardo pesado

Pra você ver o sol nascer quadrado

Cortante como um estilete

Pisa, não, não é tapete

Visualização não é pegar visão

Pregão da bolsa é arrastão de gabinete

Balanço da favela virou balancete

Ali onça bebe água, na espreita

Aliança, na diáspora, desfeita

Linhagem africana, Tupac na bandana

O rap é Pantera Negra, então, respeita


[Verso 4: Lord]

De boné, o crime mata

De terno, o crime compensa

Não sabe escrever, mas já assinou a própria sentença

Quer bestializar a criança, quer banalizar doença

E, se tu discorda, já é, mas tu não vai ter minha bença'

Se "farinha pouca, meu pirão primeiro"

No caso deles, foda-se, comer um pirão inteiro

Pô, tive meus delito' pra fazer o dinheiro

Eu não sou santo nem profano, eu nasci nesse meio

Eu vou...

Rádio na cintura e de glock na mão

A camisa do Bayer, fura[?] alemão

Vou viver fodendo sem sentimento

Mas vou morrer na boca sem outra missão

Meritocracia?

Dez horas de trampo versus playboy estudado, descansado e alimentado

Porra, papo é reto

Se nos derem a construção civil, seremos engenheiros e arquitetos

Contaremos todas as vitórias nas versões de quem vence

E não só de quem vi de perto

Mano, eu passei noites muito loucas na vida de quem vende

Quase morri, hoje eu aperto

São várias visões, esses menores são tudo mente

Tipo às vezes tu precisa mesmo é de um Favela Cria

Pra desde novinho ter a visão de o que é valores

E que o que o homem precisa mesmo é tempo pra família

Diferente disso, nós abre a porta de casa

Nós toma tapa na cara de político, polícia

Os planos deu tudo errado, eu fui o errado na notícia

Vivo, querido, preso, esquecido

E morto deixarei saudades


[Verso 5: Rodrigo Ogi]

Parecia que só eu estava lúcido

E que, na minha frente, de repente, luz se fez

Observo a figura que tá nesse púlpito

E ali eu vejo claramente Lúcifer

As pessoas me parecem que estão em hipnose

Pura psicose, são marionetes

Eles não percebem nem que chova canivete

Que o número da besta hoje é o dezessete

Baixam o decreto que estimula as mazelas

Pra deixar a nossa esperança magricela

A morte passeia nas vielas das favelas

Pra fazer que nunca mais existam Marighellas

Querem nos apavorar, torturar, aleijar

Eles nos enviam a miséria pra nos alvejar

Fomos condenados a nunca subir de patamar

Sinto os sabores do desgosto no meu paladar

O cenário é bélico, a rotina, tétrica

A vida do pobre cada vez mais cadavérica

O demônio age a serviço da elite

E, por isso, do inferno, isso aqui virou a réplica