Released on 2001

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Cordão de ouro branco, vale quanto pesa né?

Praça da Sé, na loucura da miséria

Maluco vai, quer tipo, é pra se manter de pé

Sua coroa tá ali, sabe qual que é

Jogada na calçada, calça rasgada

Muito louca de cachaça, chamam de vaca

Está sem chance, está sem nada

Vadia velha com um filho jogado as traças

Mas que nada, a rua abraça

Tá crescendo Cisco, menino desafortunado do gueto, vai vendo

Ele quis ir pra escola, mas a sua história...

Vai, já era

E soube que criança de pé no chão, realidade do mundão

É uma lição ainda a ser estudada, é uma missão que já foi abortada

Cada vitrine inventa moda. TV ligada, Cisco só vê bosta

Meio-dia, óia. Hora da boia. McDonald's na tela, saco de cola

Corre sempre, mas vai o Super Sonic

A polícia traz para o game over

Moleque de atitude, liga a poli

Ás vezes perde a cabeça, vida do crime

Tá no jogo é pra jogar, tudo aqui é embaçado

Sobreviver na selva tem que ser, é de aço

Ele tem jogo de cintura

Bola, só na maconha perto da rua

Ás vezes dá rolê na quadra do cemitério

Chora a morte do seu mano, muito desgosto

Covardia do caralho, tiro no côco

Cor de olho diferente, bagulho roxo

Muita gente vai dizer que eu tô ficando louco

157 no farol é só o troco

É só o troco

Cisco! Cisco!

Cisco! Cisco!

Cisco! Cisco!

Cisco! Cisco!

Olho na pista, cabeça no céu

Ele limpa o para-brisa e sonha com o Papai Noel

Farol amarela, viaja na ideia

Da meia pendurada na janela

1 real, 2 real, 1 Apê na Cohab

A Missa do Galo, a bença do padre

Realidade, na verdade, bem diferente

Pagão do nariz de ranho verde

15 anos de idade, lembrou da Tetéia

Vendedora de prazeres, menina mais velha

Que com ela teve o seu primeiro atrito

Umbigo com umbigo, sussurros e gemidos

Menino quase homen, overdose de pobreza

Quadrilátero na mira de polícia besta

Várias estrelas, um brilho a mais no céu

Sobreviver, vender mais um papel

Admirar o sol, viver mais um dia

Primeiro mandamento, se liga Cisco

Sonhar com um futuro aqui é isso

Um prato de comida, um cachimbo

Meninos e meninas, tipo objeto

Maníaco do centro, sexo

Mão naquilo, aquilo dentro

HIV na veia escorrendo

O tempo passa, a vida continua

Cisco tá na rua cavando a sepultura

Na busca louca de um trocado

Praça da República. Michê, foder viado

Fico pensando no valor do aborto

Viver assim, pra mim, é já tá morto

O desespero, agora, vai além

Rejeitado e na cadeia aos 16

Diferente do cu que tem dinheiro

Queima índio, tira onda e fode o Brasil inteiro

Depois do enquadro, pense bem, seu moço

157 no farol é só o troco

Cisco! Cisco!

Cisco! Cisco!

De um espectro diferente, o avesso do contrário

Universo paralelo, um presente inusitado, raro

Meu nome é Diogo. Agradeço, de fato, o direito, a palavra, poder musicado, então... (DMN!)

Pra começar, obrigado

É tipo o Cisco, ele não tá sozinho

Tem um monte na rua entre a cruz e a espada, a rosa e o espinho

Então me cale e ouça...

1 minuto, 1 segundo e mais um pouco

É só o troco

Cisco! Cisco!

Cisco! Cisco!

Não quer mais ser, assim viver, é só querer

Cisco não quer mais saber, só esquecer

Não quer mais ser, assim viver, é só querer

Cisco não quer mais saber, só esquecer

Não quer mais ser, assim viver, é só querer

Cisco não quer mais saber, só esquecer

Não quer mais ser, assim viver, é só querer

Cisco não quer mais saber...