Released on 2001

Thumbnail

[Refrão]

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom


[Verso 1]

Se infiltre na ideia, viaje no lema

Venha conhecer o verdadeiro sistema

São Paulo, Brasil, América do Sul

Complexo carcerário é o Carandiru

E, bem assim, não são nove, mas são sete pavilhões

Sucedidos de maldade, de muitas questões

No campo rola um fute

Lá em cima, correria

Os manos gladiando, 100% dia a dia

Andando para lá e muitos para cá

É um país, é um destaque, você pode acreditar

Não cola baby look nem cavada apertada

Aqui sujeito otário sobe o morro na paulada

Tipos espertos, malandros ligeiros

Do segundo ao quinto andar, eu me encontro no terceiro

Junto com a rapa, com os manos de atitude

Ladrão que tem o dom, sendo assim não se ilude

O mundo de calças beges, de loucos, paranoia, de bandido considerado

A liberdade é uma vitória

Primário reincidente, gente da gente

Lealdade, humildade ou linha de frente

Salve, salve, parceiros, manos ligeiros

Aqui fica quem é e DVD virou inteiro


[Ponte]

Acreditamos muita em nós porque somos povo

E, por isso mesmo, acreditamos que o povo unido vencerá a elite


[Refrão]

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom


[Verso 2]

Detenção Carandiru, o filho chora e mãe não vê

Não dá pra ver, não dá pra crer, não dá

O silêncio é um dos pontos neste lugar

Submundo arriscado entre os pavilhões

O clima é sinistro entre os paredões

Fuzil AR-15, um gambé forgado

Estoura seus miolos, puxa-saco do Estado

Não jogue e atira

Não tente a fuga

Onde a corrupção, aceita na madruga

O tempo fecha, o dia é esquisito

Daqui a pouco, a blitz em toque, o perigo

Maior veneno, ó, é embaçado, ó

"Vai descasca, ladrão, cadê o pó?"

Aí, senhor, eu tô limpo na fita

Vim tirar minha cota, infelizmente, nadita

Não vim caçar assunto, muito menos me atrasar

Não vivo de ponto, eu sei bem onde chegar

Treta, pá e bola aqui é o que rola

Estação Carandiru conta um pouco da história

Do passado verdadeiros que vivemos no presente

Futuro vem chegando e continua como sempre

Enjaulado, humilhado, pra vocês um fracassado

A alta sociedade, a vergonha do Estado

Resulta em rebeliões, embaça cadeia, vira

Primário residente, uma par de homicida

Não dão as condições que os preso necessita

Os funça divulga que as noite são maldita

Quer ouvir mais, saber um pouco mais?

O rango aqui quem faz tá de mal com a paz

Eu abro o bandeco e que decepção: até a comida me vê como ladrão

Sem tempero, não tem cheiro, a mistura muito menos

Eu fazer meu corre pra não ficar no veneno

Eu peço atenção, com todo respeito, pra depois não falarem: castiga esse sujeito

Sujeito, tudo bem, mas não qualquer um

Um preso do Estado, cidadão comum

Eu reivindico, eu falo, não sou tão mau assim

Vou esperar as providências, mas eu sei que não tem fim


[Ponte]

E, por isso mesmo, acreditamos que o povo unido vencerá a elite


[Refrão]

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom


[Verso 3]

Nas galerias, a massa penada

Na dez, várias facadas

Várias vidas jogadas por consequência da mancada

Por aqui o papo é reto, a maldade predomina

Presidiário ou detento, mas com auto-estima

Matar pra sobreviver aqui é natural

No bueiros, várias facas

Um vacilo é fatal

Moleque mimado, chora e mãe não vê

Deu uma de talarico, é aquilo, pode crer

Talvez no inferno ele sobrevivia

No Carandiru não passou de dois dias

Não respeito mulher no dia de visita

Na segunda cena, aí ladrão, virou homicida

Pescoço cortado, fato consumado

Por causa de um olhar, haha, virou finado

Em treta de ladrão, vagabundo não grita

Na língua da cadeia, vish, chamou polícia

Aqui dentro as lei foi feita pra se cumprir

Se foi fácil entrar, vai ser difícil sair

Nasci na escuridão, ganhei um presente das trevas

Condenado ao inferno, trinta ano de ponta

Esquecido pela mãe, odiado pela família

Estimado apenas pelos bandidos da ilha

Um homem de capa preta com a foice na mão

Criado pela maldade dos ladrão da detenção

Resgatados pelo rap, os manos não esquece

O som, casa cheia, vê se não esquece


[Ponte]

Acreditamos muito em nós porque somos povo

E, por isso mesmo, acreditamos que o povo unido vencerá a elite


[Refrão]

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom

Casa de detenção

Detentos em cena

Só sangue bom