Released on July 7, 2021

Thumbnail

[Letra de "Vazio" ft. TILT]


[Verso: TILT]

Silente entre o ruído imenso, cheiro intenso

Rezo p'a que não me queime e queime incenso

Reviro os olhos numa de olhar pa' dentro, olho o pêndulo

Antes que a inconstância desta fome desmorone o templo

Pai, eu sei que caminhei ao longo de eras, foda-se

Murchei brumas, pisei dunas e abri crateras, foda-se

Renovei-me nas primaveras todas

(Mas) Naturеza é natureza

Paciente, só fico à еspera que morras

Líder da cáfila só que, se um dia eu abro a boca

Serei mais que hálito a morte

Eu cataliso o Éter e por questão de caráter

Eu hei de gritar "Fráter" até que o teu cadáver pálido acorde

(Nem sei bem) Quantos litros sangrei

Reguei o solo, dei cor à pétala na década em que o incolor é rei

Tenho sonhos doutro tamanho, tenho canto que pode limpar a Terra

Sem esse estranho banho de sangue

Água cristalina caso o vermelho estanque

Eis-me apelando, de volta à superfície como um ex-Atlante

Queria tanto em puto ser, diamante em bruto ser

Hábil a polir-me, e redimir-me antes de adormecer

Às vezes sigo surdo, cego, mudo até que inerte surte

Cato espinhoso que o deserto nutre

Às vezes vivo o erro como se ele fosse certo, juro-te

Temo que o laço aperte tudo p'a que o meu trajeto mude

Mortal projetado ao céu por um morteiro (Certeiro)

Sem falhas nem medalhas p'a este mísero arqueiro

Descobri a sede mas ela não viu que eu a achei (Creio)

Que se a solidão é dor, é porque o meu vazio 'tá cheio

(Cheio de erros) Sou homem-robô, bem perro

(Ó meus amores) Não preciso de flores nem enterro

Sou homem de mim mesmo, servo, beija-me e deixa-me no aterro

Até porque é p'ra isso que escrevo

(Até sou) Blasfemo quando o paraíso descrevo

Devo ser o pior candidato a este plano

Sou puro, sou mundano, sou divino, sou profano

Sou mistura de ódio tuga e amor romano

Deixa-me ser ao meu alcance e não da expetativa alheia

Onde estive à beira de enfraquecer (Quebrei o pacto)

Estive de facto prestes a 'tar estendido de fato

Dentro da copa da árvore e vivido sem nunca ter estado vivo

Reconheci um esquecimento de mim

Sei que vou morrer, mas foda-se, eu também nasci

Entre o som estridente de bala numa diferente vala

Onde a fatalidade consola (Mais à frente a gente fala)

E... o karma dói mas fito-o como se nem tivesse farpa, boy

Numa maré de azar sou carpa Koi

Essa corrente destrói mas eu navego contra

Que a sombra do ego pronta e se a ponta do prego conta

Pego a minha cruz, isolo-me, laço e colo-me a um pedaço de arte

A ver se lá passo incólume no vazio

Onde não choro nem rio

Olho e sopro para o pavio