Ás de espadas

By Dealema

On Alvorada da Alma

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[Verso 1: Fuse]

Marcial na arte, renegado mental, não tenho dojo

A vida exige muito de nós, damos-lhe o dobro

Detesto pensamento rácio, gravito como astros

Balanciado em signo, ascendente e minotauro

Desconforto em ser peso morto

Prefiro o conforto do frio real

Mantenho a sanidade por um fio, eu confio

Não me empurres bimbo, eu sobrevivo no limbo

Inspiro a vida enquanto esgrimo a dois bafos do abismo

A nossa aura, escola como a tora para a cavala

Chapada que te acorda com a mesma mão que te embala

Chamada sem hora marcada, revolução é agora

Calma na falta de respeito, a lambada que te vira a cara

Pára, afoga a mágoa e mata-a, agarra-te e amarra em âncora

Prepara-te são e salva-te, entrega teu corpo e alma

Má vida que te acomoda, elimina com bomba atómica

Dealema cara a cara, sou mascara anónima


[Verso 2: Mundo Segundo]

Neste mundo estranho, sem dor não há ganho

Tens de engolir o orgulho e entulho de todo tamanho

Aprova o que te põe à prova e prova do sabor amargo

Se essa obra não desdobra prepara e assume o cargo

A vida é feita de batalhas, batalhas p'ra sobreviver

E quando falhas, vês que as falhas é que ensinam a crescer

O saber não ocupa espaço a quem abre espaço ao saber

E mesmo que chegues atrasado nunca é tarde p'ra aprender

Só vai beber da fonte quem tem sede de vencer

E quem no jogo aposta a vida, o mais certo é vir a perder

Perdi, caí, levantei-me, subi, caí, levantei-me

E foram tantas as quedas que às tantas habituei-me

Não tenho medo do fracasso pois é de sangue o nosso laço

Máxima satisfação, penso em projetos que abraço

Dou bafos de inspiração sem ter de puxar o maço

É como um passo de gigante a cada meta que ultrapasso


[Refrão: Marta Ren]

Há quem não escolha bem

Não vai a jogo, não mantém

No constante vai e vem

Esta luta não te convém

Não sou roleta russa de ninguém

Essas fichas para mim não valem

No constante vai e vem

Esta luta não te convém


[Verso 3: Expeão]

Antes do anarquista cometer suicidio

No dia anterior estava abatido

Com a bíblia na mão falava comigo da dor

Em busca da salvação ou motivo

Já chutava no pescoço quase perto do ouvido

Partiu no seu derradeiro voo da ponte de Dom Luis Primeiro

Mais uma alma perdida na neblina, nessa noite imagina

Saí de casa com vontade de encostar um fusco

A todos os traficantes de heroína

É preciso ser um grande homem para sobreviver

Na selva urbana tudo pode acontecer

Da lua cheia ao amanhecer

Há sempre alguém a fazer-se à vida

Tem de haver sempre alguém a meter

A viver com a corda no pescoço

A cair e ir ao fundo aos poucos

A esgravatar sem encontrar um poço

Embacotados, enquandrados, mal-humorados

Tão agoniados que a felicidade passa ao lado


[Verso 4: Maze]

Hoje em dia ser honesto é sinónimo de otário

O elogio da vaidade, do salafrário

Quem é a próxima vitima do conto do vigário?

Alguém vai ver um zero no seu extrato bancário

Só dá tratantes, filtros, parasitas e velhacos

Pelintras, patifes, piratas e larápios

Que vagueiam em hordas pela cidade fora de horas

Ditam as normas, eles encostam-te às cordas

Com navalhas afiadas apontadas à guela

Como putos da favela que copiam da novela

Perdem a cabeça, compram um passa montanhas

Disparam a caçadeira, no chão espalham entranhas

Várias artimanhas, saltam cartas das mangas

São gaivotas abutres, ratos, hienas e piranhas

É preciso ser forte p'ra ser honesto neste jogo

É um ambiente tão viscoso, que até mete nojo


[Refrão: Marta Ren]

Há quem não escolha bem

Não vai a jogo, não mantém

No constante vai e vem

Esta luta não te convém

Não sou roleta russa de ninguém

Essas fichas para mim não valem

No constante vai e vem

Esta luta não te convém

Há quem não escolha bem

Não vai a jogo, não mantém

No constante vai e vem

Esta luta não te convém

Não sou roleta russa de ninguém

Essas fichas para mim não valem

No constante vai e vem

Esta luta não te convém


[Scratch: Dj Guze]