Released on September 7, 2018

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[Verso 1]

Escrevam na minha lápide

Que eu morri de crise apática

Amarelo na tez

Emotividade hepática

O verbo é siamês

Causa impacto de forma empática

Uma família de três

No sofá a olhar para a estática

Até que chegue a minha vez

Adopto uma atitude prática:

Conto os trocos

Vida após electrochoques

Sob hipnose psiquiátrica

Inteligência artificial

Que informação dramática!

Português?

Eu nasci num barco

Sou apátrida

Não me vês?

A tirar coelhos da cartola

Embebida em chuva ácida

Esta esmola paga a escola

O meu vicio é fazer sátira

Colo ventres como dracmas

Colam pálpebras

Em cadência rimática

Desequilíbrio à Jorge Palma

Charme decadente:

Fico triste a ver a Salma

Ser vencida pelo tempo

Flecha apontada à alma

Estrela carente e não cadente

Se eu espirro, causo o vento

Bate palmas, é talento

Bate palmas, é talento