P’ro k der e vier

By Chullage

On Rapensar

Released on 2004

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[Verso 1]

Não respeito pchinguinhas

Só p’ras princesas e rainhas

Sujeitas ao sofrimento do guetto

Do machismo

Ao racismo

À ignorância do seu próprio preto

Eu dedico estas linhas

Porque não encontro só a vaca de merda ou a cuarra

Também encontro a lutadora

Que constantemente se esbarra

Num mundo dominado por homens que lhes amarra

Às teias do preconceito

Baby devo-te respeito

Porque apesar do que sofres

És tu que trazes a paz ao nosso leito

És muito mais que duas pernas abertas

Bom rabo e peito

És mulher, és amiga, és mãe, és irmã

És quem nos fez ontem

Nos mantém hoje

Nos prepara o amanhã

Que num dia-a-dia tão doentio

Nos consegue dar uma pausa sã

Mesmo sabendo que tenho os meus niggas

Nas horas mais difíceis

És tu que me suportas

Nas maiores necessidades

És tu que n me fechas as portas

Que quando é preciso pegas nas armas

E como guerreiro te comportas

Que apesar d'um passado horrível

E d'um presente duro

O nosso futuro não abortas

Dás tanto e às vezes não mereço

Mas pelo amor tu nem te importas


[Refrão]

Porquê?

Porque és o ontem

És o hoje, és o amanhã

Porque és o nigga

És a amiga, és a mãe, és irmã

És mulher

Porque sem pistolas nem punhos

Estás aqui p’ro que der e vier


[Verso 2]

És o exemplo de força pelo que aguentas

Trabalhas, chegas a casa, cozinhas, amamentas

E alimentas

Os nossos espíritos com as tuas ementas

Cuidas, educas, sustentas

Por ti raramente te sentas

Mas por nós estás sempre de pé

E quando vem o desespero

És a ultima a perder a fé

Enfrentas o assédio de patrões exploradores

Colegas estupores

De computadores 'pa aspiradores

Maridos abusadores

Filhos desrespeitadores

Frutos de romances falhados e falsos amores

Muitos sinais exteriores

De riqueza e pouka riqueza nos interiores

Negra eu torço

Para que os real niggas deixem de ignorar o teu esforço

Para que tirem a responsabilidade das nossas vidas do teu dorso

Para que possas parar

E recuperar

Da nossa má conduta

E possas ouvir algo mais que lagaia, cadela, chulebra, puta

Porque não estaríamos aqui

Se não nos tivesses acompanhado nesta luta

Curando-nos

Ferindo-os

Na escravidão

Exploração

Que há 500 anos nos amputa

Escuta

Minha mente refuta

As teorias desse mundo machista

Embora por ignorância às vezes as siga

Te fira com algo que diga

Te provoque sofrimento e fadiga

Mas cansei de ser o teu macho

Daqui 'pa frente sou o teu nigga


[Verso 3]

És divina quando transformas o sexo num ritual

Brutal

Selvagem, sem perder o sensual

Não sabes quanto é que me bate

Quando secas a água dos teus olhos

E deixas-lhe escorrer por essa pele cor de chocolate

Percorrer as tuas curvas até que o prazer nos mate

Que o cansaço nos arrebate

Num orgasmo colmate

És só afro-disíaca

Beleza demoníaca

Ternura paradisíaca

Fiel mas ninfomaníaca

Sinto orgulho, em germinar dentro de ti o meu fruto

Porque tens sabedoria p´ra fazer um homem

Não te limitas a ter um puto

Criando uma família real

De negros e negras tal e qual

A nossa África ancestral

Tens outro astral

És espiritual

Diferente, não queres saber quando eu conduzo um Civic

Um Saxo ou Punto

Quanto tenho na carteira p´ra te comprar uma jóia

Ou um conjunto

Porque discoteca, homem e roupa não são o teu único assunto

Consegues responder quando sobre a nossa sobrevivência te pergunto

Com tanta desunião consegues manter o nosso povo junto

Porque 'tás lá quando sofro

Mais um golpe desse tuga

Na hora da amargura és tu que vens brown suga

'Tás lá quando regresso d'um trabalho que me explora

'Tás lá quando tou doente, ferido, frustrado

Foda-se 'tás lá a toda a hora

Até quanod te peço p´ra me refundires o yosh ou o shot

Daquele chibo

Vais lá quando me fecham nas celas construídas

P´ra aprisionar a nossa tribo

Sei que devo dizer-te isto sempre

Mas quase sempre me inibo

Por tudo o que já fizeste pelo nosso povo

Amor é o mais modesto recibo