Mediaocridade

By Chullage

On Rapressão

Released on 2012

Thumbnail

[Letra de "Mediaocridade"]


[Verso 1]

'Tão nos a dar letra

Do nascer ao pôr do Sol

A cada 24 horas

O quarto poder assume controle

E ao ritmo diário

Dá-se o fabrico de notícias

Reality, agora e show

E factos são produções fictícias

No romper da manha

O correio mete o crime em destaque

Metro a metro da cidade

Uma mentira ou ataque

Dão a sensação que

O público até tem opinião

Mas não, eles não querem

Que você tenha uma visão

Opinião que devo seguir

É transmitido ou impresso

Liberdade de expressão

É p'a expressar o que já vem expresso

E rádios perderam o norte

E já só rumam a SW

Embriagado no super bock

O rock tá super a leste

E o ambiente não tá optimus

Pa quem vive nesta cidade

O negocio tá alive

Mas sem criatividade

Eles tão a chamar a música

De puta

A cada 15 minutos há novos

Ídolos no ponto de escuta


[Verso 2]

Eu tenho positive vibres

Mas alguma coisa ta mal

Não quero chegar a Ericeira

Fico pela marginal

Procuro mudança

Mas eu não detecto no radar

Mesmo com tanto oxigénio

Preciso de música pra respirar

Sufoco nos anúncios

Que se sucedem em blocos

E assuntos de micro-ondas

Desfocam-me do que merece focus

Cultura de supermercado

Trás Ecoli nas intenções

O cérebro vira vegetal

Enquanto eu ouço os sabichões

Impigem-nos medo

E corremos atrás de vacinações

Mas gripe das aves contamina

Mais via televisões

They make sick

Com tanto lixo que se ouve e se vê

É preciso pôr um ponto

No I da TV

Porque a rádio televisão

Duma família portuguesa

E pa nos prender a sala

Enquanto eles pilham a nossa mesa

Querem-me frente a TV 7dias

Mas a tv não me guia

Neste regresso ao fascismo

Depois de tanta nostalgia /16


[Verso 3]

Há alguém a + neste top

Subornaram a lista

É a morte do artista

Sem renascença à vista

Tiro as chaves a Diana

Pra não entrar mais em cena

E por mais diversidade

Eu tiro os 3 à Antena

Porque a Aurea e Deolinda

Já tão bue'da rodadas

E a mesma horta que da Melão

Agora da morangada

Se Portugal tem?

Onde é que ta o talento

Porque eu só vejo é Manueis

À boleia pelo continente

É só laços de sangue

Esta merda é só cunhas

De resto fecham te a porta

Na cara tipo testemunhas

De Jeová

De Janeiro a Janeiro

Gritam-me venha cá

Fazem me engolir um sapo

E despedem com um até já

Famosos em alta definição

A darem me granda blá blá blá

Não tenho fibra para isto

Tenho a vida presa por um cabo

O comando é meo

Ou será deles ao fim ao cabo/16


[Verso 4]

Não sei onde e que tão mais perdidos

Em Portugal ou na tribo

As tribos tem bue valores

Aqui o único valor é o PIB

O mundo já foi luso

Mas lusomundo é hollywood

Com pipocas e coca cola

Pá manter um povo mudo

E a vossa selecção

Nas trás ouro e escravos a sagres

Falar em louras: Fátima

Não fazes milagres

Pondo os contras

Frente a frente com os pros

Duas faces do mesmo euro

O povo continua sem voz

Transformado em fala barato

Tipo que o cérebro tem Moche

“P’ra sairmos desta crise

Temos que sofrer mais um coche”

Dizem que não há outra escolha

Ta tudo escolhido pelo Marcelo

Ou será pela Sonae, Jerónimo Martins

Ou Groupo Mello

Eles são monstros

Mas tem-nos focados no José Castelo

Aberração é um governo

Que nos vai deixar a comer farelo

E a Teresa Guilherme

Faz-me levar a garganta dois dedos

Porque o Parlamento

É a verdadeira casa dos segredos


[Verso 5]

E a justiça é O Jogo

E a corrupção bate o Record

A bola esta nas mãos deles

Mas arrastam até que ninguém se recorde

Ela paga-se como

Qualquer actividade comercial

Palavras p'a me por happy

Já não sobem o astral

É preciso uma revolução

Mas nunca mais é sábado

Doze de Março acabou por ser

Mais um passeio de sábado

TV é o mensageiro diário

Do flagelo económico

Dizem que não há crise

Man isso não é cómico

FMI quer que estado

Concorra no peso pesado

Até a anorexia da democracia

E uma obesa lei de mercado

Portas e passos Coelho

Quem quer ser milionário

Um concurso do FMI

Pó seu melhor funcionário

Que sacrifique o meu hoje

Por um incerto amanha

O FMI quando vem e pá fizer

Pergunta ao Strauss Khan

Plin o fim ta perto

Perderam um país por não saber

Qual o preço certo

Desta crise

Isto cheira mal

E nem flores da Madeira trazem Brise


[Verso 6]

Bom dia Portugal

É mais um dia sem horizonte

Mas a televisão oferece dinheiro

Para ouvir a merda do teleponto

Com tanto açúcar nos morangos

É uma geração de diabetes

Pseudo rebeldia

É a adrenalina dos betos

Capitalismo tem direito de antena

No Jornal Das Oito

Não tenho motivos para rir

E já são 5 P'ra Meia Noite

Enquanto vejo CSI em Las vegas

CSI no palácio de Belém

Mostra que a Justiça é cega

Dinheiro desaparece do país

Como por magia

Hemorragia

Dum povo com lobotomia

O futuro ta Grey

Se não mudar a Anatomia

E o que é suposto

Que eu diga à minha Maria

Se durante anos trabalhei

E agora há meses que não tiro um dia

Ela é que mete o dinheiro em casa

Ah mulher Activa

Não me sinto Maxmen

Com a conta cativa

E ainda vêm mais

Dois porcento no IVA

E o puto já pediu a mochila

Do Justin Bieber

E o puto já pediu a mochila

Do Justin Bieber

Finacial ta ma nestes times

Acabou o Lux

As caras estão em baixo

Porque a conta não tem fluxo

Transformaram Portugal

Num mercado levante

Ninguém põe o Turbo

Mas é preciso ir Avante

25 de Abril, 1º de Maio

Só dão na RTP Memória

É a Mediaocridade a passar

A nossa liberdade à História