Imigra.som

By Chullage

On Rapensar

Released on 2004

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[Verso 1]

Agregado desagregado

Na tuga desintegrado

Mãe na limpeza

Pai nas obras pragado

Nigga mal assalariado

Às vezes desempregado

Puto na escola de mão agrado

Irmão mais velho encarcerado

É o crime que a rua propõe

Quando o sol se põe

Niggas não nascem gangstas como a televisão supõe

Dinheiro fala alto quando de pobreza a vida se compõe

Livros trocados pela pistola

Por putos em idade de escola

Enquanto a tragédia se desenrola

Ao ritmo que um yosh se enrola

Língua na cola

'Duma 'flutcha

Olho regalado com as curvas 'duma 'tchutcha

Lábio grande, pele escura cabeleira crutcha

Isqueiro rebenta, gira de mão em mão marijuana

Népia, pausa, cana

Babbi gira como se Arrentela fosse crica da Joana

Farda azul porca

Assassina como uma orca

Enquanto grandes roubam, eles andam atrás 'dum puto minorca

'Madafuka desemborca

Da garrafa

Deixa matar essa birra, toma o poff e bafa

Só problemas e vícios, essa life escafia

Tugalife escafia

Um nigga já aprendeu que com essa life não se safa

Estafa

E atrás das grades ela coloka

Pausa, o fone toca

Será da birra, stone, moca

Não realmente o fone toca

'Tou

Yo é S.A.S

Amanhã estúdio às dez, traz aquela rima que choca

É na música que um nigga se foca

Que fake niggas sufoca

Enche a cabeça, liga o mic põe o beat e o fogo se troca

Sempre que um nigga voca

M’ ta kemaz sima broca

Payaz sima coca

Musíca 'pa tcha pataker kebrod boca

Ok, amanhã às dez levo a rima que choca


[Verso 2]

Desde 97 cinco pares de pernas partilhando os mesmos passos

Ás vezes os mesmos espaços

Sucessos e fracassos

Momentos mais abastados, momentos mais escassos

Cinko cabeças pensando, juntando cinco pares de braços

Bebendo das mesmas birras, fumando dos mesmos maços

Pitando dos mesmos pratos

Girando nos mesmos chaços

Cinco mãos escrevendo rimas, reforçando laços

Conetando com grandes b-boyz, writers com grandes traços

Cinco dedos no vinil, cinco no crossfader Raskov

Cinco dedos no teclado Roland ligado ao S9

Centos e cinquenta e MPC com muito love

Porque love é que nos move

É aquilo que nos move

Dinheiro não nos demove

Sucesso não nos comove

Nigga a gente faz clássicos no underground desde os 19

Continuamos pragados no underground a caminho dos 29

Nada nos remove

A gente mantém-se na street com sol, frio ou quando chove

Fazendo o melhor ou o pior até que agente se certifique

Que quando bazarmos o nosso rebento melhor neste mundo fique

Pás temps pour les regrets, sima lunatic

Papel e uma bic

Enquanto S.A.S flui um grande loop, grande baixo, tarola, prato, e um grande kick

Fechados a observar como rappers hoje chupam dick


[Verso 3]

Grande loop, grande baixo, tarola, prato, e um grande kick

Papel e uma bic

Transferem a realidade da nossa mente p’ra tua

Como antídoto a nossa rima atua

No veneno da sociedade que em ti desagua

Mentes fechadas a cadeado que nosso rap abre tipo uma gazua

Nem livros, nem escola, nem filmes, retratam a realidade tão nua

A gente faz intervenção

O resto desses niggas insinua

A gente perpétua

Rima dura crua

Da rua p’ra rua

Da nossa p’ra tua

De norte a sul cuspindo rimas escritas com visão

Beats feitos com muito tato

Fodendo a audição desses niggas, cheiro de charro no olfato

Em microfones com mau contato

Technics nunca intactos

Cd’s que saltam e quebram o feeling do público estupefato

Às vezes um grande som, às vezes nem colunas de retorno

Às vezes algum cachê, às vezes nem dinheiro p’ro retorno

Público frio, às vezes morno

Outra vezes tão quente que o palco parece um filha da puta 'dum forno

De volta ao bairro p’ra onde aliás a gente sempre regressa

Porque no bairro a gente stressa

Mas a gente confessa

Que fora do bairro rodeado de pataqueiros não nos interessa

Em casa, na rua recebidos de braços abertos

Juntos daqueles que conosco traçam futuros incertos

Movimentos encobertos

Uns mais outros menos espertos

Onde os melhores e os piores sentimentos são descobertos


[Verso 4]

"Imigra.Som" da crew com eyes red

Fiéis ao rap independentemente do que se sucede

Nem a $, nem a fama, nem à industria a gente cede

Não é pelos clips, nem pelas vendas, é pelo amor que a gente se mede

"Imigra.Som" da crew com eyes red

Rebentando bombas no underground como ninguém procede

Ninguém antecede

Agente luta concretiza nada a gente pede

Nada nos impede