Released on November 15, 2024

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Deixa-me ouvir o teu coração

Sente o pulsar dele na minha mão

Só ‘tou à procura de algum conforto

Na tua ternura, no teu retorno

Somos quem me engana sem ter noção

Os dias são longos e largos não são?

A consequência chega num certo ponto

Só queria equilíbrio fui mais um tonto

Queria ver as coisas só como são

Não ser ofuscado pela comoção

Nem hipnotizado pelos meus sonhos

Tua aparição em todas as noites é repentina como uma ereção

Não tem sentido mas não digo “Não”

Ouvi o chamamento do meu corpo e fiquei mais vazio de novo

(Estranho)

Sabе sempre ‘tão bem ‘tar só

Sabе sempre ‘tão bem ‘tar só contigo

Sozinho tudo me parece pouco

Já sei que quando escurece pronto...

(É aí que ela me aparece e é do nada)

Eu não sei de quem é este lindo rosto que representa o meu sucesso todo

E que se apresenta disposto a lidar com os meus pesares e com a minha mágoa

Nem é suposto, pareço tosco, tanto desgosto não mais acaba

E é só penoso, não piedoso, meu tronco frouxo só o teu afaga

A ti exposto sou só um moço sem nenhum esforço nenhuma farsa

Sem nenhum jogo, só nós os dois (vives em mim e és minha casa)

Sabe sempre ‘tão bem ‘tar só

Sabe sempre ‘tão bem ‘tar só contigo

Aceitas a minha carência c’uma paciência que nunca cessa

Deitas-te na cama ao meu lado, adormeces-me e a tudo aquilo que me inquieta

Espreitas então a minha essência de dentro p’ra fora sem que eu te impeça

Na minha escuridão e do quarto há uma luz que a sombra projeta

Sem haver perigo de sermos libertinos enquanto que o amor nos cerca

Sem que me abraces até que eu sinta que é o meu coração quem me aperta

Envolvido pela tua forma côncava que se molda à minha (convexa)

Como quem abraça toda uma dúvida que vai, mas sempre regressa

Sabe sempre ‘tão bem ‘tar só

Sabe sempre ‘tão bem ‘tar só contigo