Released on October 19, 2023

Thumbnail

[Intro]

Ayy, favela eu sou, eu sou


[Refrão: Cesar MC]

Ayy, quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais...


[Verso 1: Cesar MC]

Levanta a cabeça menor

Que ainda há tempo de fazer esse jogo virar

Eu sei que não é fácil ter que fazer o dobro

Mas só da pra mudar o jogo dentro do jogo

E se não for agora, então me diga quando?

E se não for você, então me diga quem?

Dе joelhos dobrados prum Deus que não dormе

Não se atreva a abaixar a cabeça pra ninguém

Eu vou ficar de pé

Sem abalar minha fé

Tipo camisa 9, Fenômeno

Sonhando em gritar que o jogo virou

Pra não ser mais um Silva que a estrela não brilha

Geladeira cheia é a ambição dos cria

No 288 ele formou quadrilha

Sem ter estrutura pra formar família

Quantos de nós sem voz pra ser aquilo que sonhou quando crescer?

Eu sei que vão falar que é só correr

Mas quem que vem de lá pra socorrer?


[Refrão: Cesar MC]

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais...


[Verso 2: VK MAC]

Ó Deus, esse mundo é tão cruel

Não deixa ofuscar minha luz

Sempre estive muito perto de um destino trágico

O menor sonhador

Que cresceu em um mundo sem cor, peito sem amor

Depois que ascendi a dor passou, fé no meu Senhor

Ele é quem nos conduz

Eu sou favela

Vivi coisas que só vê quem vem dela

Arte demais pra caber numa tela

Sempre quis mais do que gaveta ou cela

Ainda tô naquela de querer mudar tudo ao meu redor

Desfazer da mente esse nó

Vou subir sem perder meu norte

[Refrão: VK MAC e Cesar MC]

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais...

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais que um de nós vai desistir?

Quantas vezes mais...

[Saída: Cesar MC e Braz Cortes Pereira]

- Alô, alô Braz. Fala comigo irmão, como é que você tá? Tudo certo? Ai, solzão bonito iluminando a comunidade, né? Tava lendo um dos seus poemas aqui pelo muro da quebrada e eu fiquei pensando... Como é bom ter orgulho do lugar que a gente vem né? Sabe? Tantas histórias que se cruzam. O Coral Serenata de Favela, tantos sonhos, tantos motivos pra se alegrar também, em meio aos desafios, claro. Mas diz aí, e esses poemas, será que não daria um livro não?

- E aí meu parceiro, aqui tá tudo bem. Isso até me lembra uma poesia, mais ou menos assim que "a favela hoje tá daquele jeito, ela desceu a quebrada pra impor o seu respeito, e assim que tem que ser, por que essa é a favela que trás na sua essência o som de cria, que vira opera em Miami e nasce aqui, mano, no berço da periferia onde muitos são discriminados e tratados como vagabundos, mas não vai ser o preconceito de poucos que vai impedir nossa voz de ecoar do alto da favela pro mundo, por que a favela é assim, nós batalha e nós faz rima, nós tem MC e tem voz e nós vai pra cima. A favela é paz, fé, raça e cor e nós somos a voz da Favela. Nos respeite por favor"